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"Não sei quando é que vou jogar o meu próximo encontro". Naomi Osaka perde com jovem de 18 anos no US Open e admite pausa na carreira

A defender o título em Nova Iorque, Naomi Osaka perdeu na 3.ª ronda com a canadiana Leylah Fernandez e assumiu que recentemente nem sequer quando ganha se sente feliz. Sempre muito clara e honesta quanto à sua luta pela saúde mental, Osaka deverá agora parar. Por quanto tempo? Nem ela sabe

Lídia Paralta Gomes

ED JONES/Getty

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O ano de 2021 começou de forma brilhante para Naomi Osaka. A japonesa venceu com grande superioridade o Open da Austrália, tornando-se apenas na terceira tenista a vencer as suas quatro primeiras finais em torneios do Grand Slam (Roger Federer e Monica Seles completam o trio), e tornou-se cada vez mais numa voz ativa na luta contra a discriminação racial.

Mas antes de Roland Garros a número 2 mundial anunciou que, para preservar a sua saúde mental, não iria participar em conferências de imprensa. Depois do torneio a multar e a ameaçar com a expulsão, Osaka pegou ela própria nas suas raquetas e desistiu do segundo major do ano. Não participou em Wimbledon e os Jogos Olímpicos de Tóquio, em casa, passaram a ser um dos grande objetivos do ano. A tenista foi escolhida para acender a pira olímpica e a pressão para ser uma das figuras dos Jogos era muita - e Osaka perdeu logo à 3.ª ronda.

A mesma fase da competição em que abandona agora o US Open, onde defendia o título conquistado em 2020. Frente à jovem canadiana Leylah Fernandez, de 18 anos, Osaka até abriu bem no primeiro parcial, que fechou em 7-5. No segundo set chegou a servir para fechar o encontro, mas permitiu o contra-break, com Fernandez a vencer no tiebreak por 7-6. No derradeiro parcial, a canadiana fechou o duelo com um 6-4.

No final da partida, com os olhos a gritarem que as lágrimas estavam quase ali, Naomi Osaka admitiu que uma paragem na carreira poderá ser o próximo passo, depois de um ano estranho, que começou com um triunfo em Melbourne onde parecia de longe a tenista mais dominadora do circuito, mas que termina com o peso das suas dúvidas a levar a melhor sobre o seu ténis.

"Neste momento estou a tentar perceber o que quero fazer e honestamente não sei quando é que vou jogar o meu próximo encontro", admitiu. "Nos últimos tempos quando ganho não me sinto feliz. É mais alívio. E quando perco sinto-me muito triste. Não acho que isso seja normal. Não quero chorar, mas basicamente é o que me apetece fazer", continuou a atleta, sempre honesta e clara quando o assunto é a sua luta diária pela saúde mental.

"Sim, acho que vou fazer uma pausa por algum tempo", assumiu depois a tenista de 23 anos, que revelou ainda que por muito que goste de desafios, recentemente se tem sentido "muito ansiosa" quando as coisas não lhe correm bem.