Tribuna Expresso

Perfil

PUBLICIDADE
Ténis

A Laver Cup deste ano não tem qualquer monstro sagrado do ténis. E agora?

A quarta edição do torneio que não conta pontos para o ranking ATP, mas junta muitos dos homens com mais e melhor jeito para o ténis que por lá andam, arranca esta sexta-feira, em Boston. Só que esta Laver Cup não terá Federer, Nadal ou Djokovic, portanto, algum nome da nova geração haverá de emergir do duelo entre a Europa e o Resto do Mundo

Tribuna Expresso

Os tenistas que vão participar nesta edição da Laver Cup

Clive Brunskill/Getty

Partilhar

Costuma sentir-se um clima mais ameno em picardias, é competitivo embora q.b., há a fragrância da boa-disposição a pairar no ar e os tenistas são adversários, sempre, mas só até certo ponto. O querer ganhar, ali, é apenas isso mesmo, ganhar um jogo e talvez uma contenda, mas não há pontos nem históricos a defender no ano seguinte. E, depois, há tudo o que é a Laver Cup.

Começa esta sexta-feira a quarta edição do torneio que não mexe e remexe no ranking de ténis, mas que junta os melhores tenistas numa competição entre a Europa e o resto do Mundo, que decorrerá até domingo no Boston TD Garden, no estado de Massachusetts, EUA, sobre um court de piso rápido, pintado de negro.

A Laver Cup só teve um trio de edições, mas, se algo já tinha de costumeiro, era a oportunidade de ver os três monstros sagrados do ténis deste século a partilharem cavaqueira, piadas e descontração. Porque Rafael Nadal (participou em duas edições), Novak Djokovic (só esteve 2018) e Roger Federer (jogo em todos, pois é um dos pais do torneio) continuam a esticar as suas lendas, mantendo-se no ativo, mas nenhum estará nesta edição da prova.

Carmen Mandato/Getty

O tenista suíço de 40 anos e, Rafael Nadal estão ambos a recuperar de lesões. Novak Djokovic, que participou na edição de 2018, escolheu não participar. O austríaco, Dominic Thiem, que venceu o US Open em 2020 também não pode participar devido a uma lesão no pulso direito.

“Este será um bom teste de se ver, visto que não temos nenhum dos big three,” afirmou Godsick, à revista "Forbes", na semana passada.

Mesmo assim, Zverev, o tenista alemão e campeão olímpico em Tóquio, pensa que mesmo perdendo os nomes que ainda são os principais do ténis atual, continua “a ser uma das melhores equipas que já tivemos,” explicou ao "New York Times".

Esta quarta edição — em 2020, o torneio foi cancelado devido à pandemia da covid-19 — conta com alguns estreantes, como é o exemplo, do italiano, Matteo Berrettini. “É ótimo estar em Boston, nunca cá estive, mas espero poder visitá-la, embora esteja mais concentrado no jogo,” contou à "Forbes".

As últimas três edições foram ganhas pela Europa, mas a equipa liderada pelo norte-americano espera reverter os papéis este ano. “É a minha primeira vez em Boston e, também na Laver Cup. Estou super entusiasmado de estar com a equipa e esperamos dar um bom espetáculo e, talvez, quem saiba, dar a primeira vitória à equipa do Mundo,” assegurou o tenista canadiano, Auger-Aliassime.

Propósito da exibição

Estes três dias de Europa vs. Mundo foi lançado em 2017, graças ao tenista suíço, Roger Federer, campeão de 20 títulos do Grand Slam. O seu agente, Tony Godsick também faz parte do comité da organização, além de ser CEO e chairman desta espécie de torneio de exibição.

O tenista suíço de 40 anos inspirou-se no torneio de golf, o Ryder Cup para criar algo de semelhante no mundo do ténis, porque a seu ver “não temos uma plataforma para antigos jogadores e lendas do nosso desporto,” disse, em entrevista ao "New York Times".

Acrescentou ainda que “ter um evento como a Laver Cup é uma forma de acender uma luz em lendas como o Rod Laver e muitos outros que inspiraram” o mundo do ténis. Assim, surge esta homenagem ao “melhor jogador do século XX,” como é referido no site do torneio.

Clive Brunskill/Getty

Rod "The Rocket" Laver

Rod Laver é um antigo tenista australiano e ao longo da sua carreira ganhou 200 títulos, foi líder do ranking mundial e, o único jogador da história a completar o Grand Slam de calendário (ganhar os quatro Grand Slams no mesmo ano). Fê-lo em 1962 e 1969 — algo que, tanto tempo depois, Novak Djokovic esteve a um jogo de replicar, na final do US Open realizada este mês.

Era conhecido pela sua rapidez e agilidade em court, daí também ser chamado como, “The Rocket”.

Formato da competição

A competição tem a duração de três dias, sendo que cada encontro ganho vale um ponto na sexta-feira, dois no sábado e três no domingo. A primeira equipa a alcançar 13 pontos é a vencedora. Se houver um empate a 12-12, joga-se um jogo de pares decisivo.

Em cada dia de competição decorrem quatro encontros — três de singulares e um de pares. Todos os jogos são à melhor de três partidas (como é habitual no circuito profissional). O terceiro set é um tie-break (ou, desempate) à melhor de 10 pontos. Os jogos para o dia seguinte são anunciados na véspera, pelos capitães de equipa.

As equipas e os seus capitães

Cada equipa é composta por seis jogadores, liderados por um capitão de equipa, que é um antigo campeão do ténis. O capitão da Europa é o sueco, Bjorn Borg, ex-número um mundial e campeão de 11 títulos do Grand Slam (os mais prestigiados no mundo do ténis). O capitão do mundo é John McEnroe, antigo tenista norte-americano, campeão de sete majors e, também antigo líder do ranking mundial da Associação de Tenistas Profissionais (ATP).

A Borg, junta-se Daniil Medvedev, campeão da mais recente edição do US Open, Stefanos Tsitsipas, número três mundial e finalista de Roland Garros, em junho. A eles juntam-se, Alexander Zverev, Andrey Rublev, Matteo Berrettini e Casper Ruud.

A equipa do Mundo é composta por Denis Shapovalov, semi-finalista em Wimbledon este ano, Felix Auger-Aliassime, que atingiu a sua primeira meia-final em majors recentemente, no US Open. Diego Schwartzman, Reilly Opelka, John Isner e Nick Kyrgios finalizam a equipa liderada por McEnroe.

Está tudo pronto para a quarta edição da Laver Cup, que não conta pontos para o ranking ATP. O evento termina domingo, mas contará com transmissão da Eurosport, em Portugal.

  • Djokovic ganhou, perdendo com Medvedev
    Ténis

    O que ficámos a saber com a final do US Open, sem a mais microscópica dúvida, é que há formas de ganhar quando se perde, até quando a derrota tem toneladas de perfume em cima com a fragrância de uma irrepetível oportunidade perdida. Daniil Medvedev chegou a cilindrar Novak Djokovic e venceu-o (6-4, 6-4, 6-4) para conquistar o seu primeiro Grand Slam, mas, quando o fim já estava perto, o sérvio ganhou a consensualidade no apoio que nunca sentira em tantos anos. E o sérvio acabou desfeito em lágrimas