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“Estamos a assistir ao ocaso dos big three. Vejam o nível destes rapazes, são o futuro do ténis”. Os jovens da Europa dominaram a Laver Cup

A Europa continuou a sua hegemonia na quarta edição da Laver Cup, em Boston, onde a nova geração (Daniil Medvedev, Alexander Zverev, Stefanos Tsitsipas e por aí fora) continuou a fazer por acontecer uma passagem da tocha, no torneio de "exibição" sem pontos para o ranking onde não estiveram Federer, Nadal ou Djokovic

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Os tenistas da equipa Europa com o troféu de vencedores

Carmen Mandato/Getty

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Sob o court pintado de negro no Boston TD Garden, foram as cores azuis e brancas da seleção da Europa que prevaleceram na quarta edição da Laver Cup.

Com uma equipa quase totalmente renovada, comparando com a última edição, e sem nenhum dos monstros sagrados do ténis a participarem, a equipa liderada pelo antigo campeão de torneios do Grand Slam, Bjorn Borg, mostrou porque têm sido dominantes em alguns dos mais importantes torneios do circuito ATP (a associação de tenistas profissionais).

Foi a edição com o marcador mais desequilibrado, com 14-1 após o último encontro. Contudo, muitos dos jogos foram decididos no match tie-break (um desempate) à melhor de dez pontos. “O marcador pode dizer 14-1, mas a maior das vezes podia ter ido para ambos os lados,” disse Alexander Zverev numa entrevista ainda em court, depois de ter dado a vitória à equipa da Europa.

Embora tenha sido a primeira edição sem Federer, Nadal ou Djokovic, os seis jogadores da Europa (todos dentro do top 10 do ranking ATP) “jogaram um ténis incrível e, como se portaram como equipa, foi igualmente incrível”, disse Borg, em conferência de imprensa.

“Estamos a viver o ocaso do big three. Ainda jogam um grande ténis, mas vejam o nível que estes rapazes estão a alcançar. São boa gente e têm carisma. Esta equipa é o futuro do ténis”, afirmou o ex-tenista sueco, onze vezes campeão de torneios do Grand Slam.

Mesmo não podendo participar, devido a uma lesão no joelho, o campeoníssimo suíço de 40 anos fez questão de viajar até Boston, uma vez que foi ele quem idealizou a Laver Cup e pôde assistir aos três dias do torneio.

Obviamente dececionado por ter perdido a contenda para uma Europa mais forte, o capitão da seleção do Mundo, John McEnroe mostrou-se orgulhoso dos seus jogadores. “Lutámos o melhor que conseguíamos. A equipa da Europa é uma excelente equipa. Infelizmente, não conseguimos ganhar alguns dos encontros mais renhidos — eles foram simplesmente melhor que nós”, admitiu, em conferência de imprensa.

Construir a vantagem desde o primeiro dia

O torneio que é conhecido pelo seu ambiente único de equipa começou algo morno, pelo menos nos primeiros jogos de sexta-feira.

Logo no primeiro encontro desta edição, que foi adiada por causa da pandemia, o norueguês e estreante na Laver Cup, Casper Ruud, foi dominador contra o gigante norte-americano, Reilly Opelka.

Bem mais difíceis foram os próximos dois jogos de singulares, com ambos a irem ao desempate da terceira partida. Antes do jogo de pares entre Matteo Berrettini/Zverev e John Isner/Denis Shapovalov, a Europa já registava um 3-0 no marcador, mas com a seleção do Mundo a partir como favorita para esse encontro, devido aos bons jogadores nessa vertente da modalidade e, onde têm ganho mais pontos nas últimas edições do torneio. No final do primeiro dia (já madrugada em Portugal), a Europa continuava em vantagem, mas ainda estava tudo em aberto.

Adam Glanzman/Getty

Domínio absoluto

Sábado foi dia de domínio absoluto da Europa, ao ganhar os quatro encontros e os consequentes dois pontos em cada jogo (os pontos aumentam de dia para dia). Destaque para a convincente vitória de Daniil Medvedev, o mais recente campeão do US Open sobre o 12.º mundial, Denis Shapovalov com os parciais de 6-4 6-0. Assim, a seleção europeia estendia a sua liderança para 11-1, bastando apenas mais uma vitória para revalidarem o seu título (a primeira equipa a chegar aos 13 pontos é a vencedora).

Para o último dia de competição estavam previstos quatro encontros — um de pares e três de singulares, mas toda a pressão caía sob os ombros da equipa do Resto do Mundo, já que estavam obrigados a vencer todos os duelos se quisessem ganhar a sua primeira Laver Cup. No outro lado da moeda, a seleção de Europa tinha uma espécie de quatro match points para continuar a sua hegemonia.

No final das contas, foi apenas necessário discutir o encontro de pares, onde a dupla europeia Andrey Rubley/Zverev a garantirem que a taça deste quase torneio de exibição ficava onde sempre ficou desde a primeira edição, há quatro anos, em Praga.

Boa disposição e honrar antigos campeões

Mas este fim de semana não era importante quem ganhava ou quem perdia, porque o que sempre fica gravado na memória de todos os que participam é a boa disposição, a honra de poder conviver com lendas da modalidade e poder homenagear Rod Laver, campeão de 198 títulos ao longo de toda a sua carreira tenística.

Embora haja um bom ambiente constante, nenhum destes jogadores gosta de perder, nem a feijões, o que torna o torneio ainda mais especial. “Sempre acreditarei que é o formato que torna esta competição tão especial”, disse Tony Godsick, um dos fundadores desta homenagem, à revista "Forbes".

Esta quarta edição foi inesquecível para muitos jogadores que se estreavam na Laver Cup. “Só posso estar extremamente agradecido de poder fazer parte de uma equipa como esta”, confessou o russo, Rublev, que ao lado de Zverev deu a vitória à Europa.

Acrescentou ainda que “é algo que permanecerá na minha memória para sempre.” Boston ficará na memória como a primeira edição pós-pandemia e, agora a Laver Cup ruma até Londres, onde a Arena O2, que recebeu as ATP Finals (torneio entre os oito melhores jogadores do ano) até 2020, receberá a quinta edição em setembro de 2022.

  • A Laver Cup deste ano não tem qualquer monstro sagrado do ténis. E agora?
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    A quarta edição do torneio que não conta pontos para o ranking ATP, mas junta muitos dos homens com mais e melhor jeito para o ténis que por lá andam, arranca esta sexta-feira, em Boston. Só que esta Laver Cup não terá Federer, Nadal ou Djokovic, portanto, algum nome da nova geração haverá de emergir do duelo entre a Europa e o Resto do Mundo