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Ainda sem treinador, mas com o pai a vê-la numa das suas ‘casas’. Raducanu já ganha no circuito WTA: “Não sou um produto acabado”

A tenista sensação, de 18 anos, que tomou o US Open de assalto vinda do qualifying, em setembro, está a competir no Open da Transilvânia, na Roménia, um dos países da sua família onde já conseguiu ganhar o primeiro encontro da carreira de um torneio WTA, só depois de ter conquistado um Grand Slam. Mas, por enquanto, ainda não tem um treinador novo

Diogo Pombo

MB Media

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O inusitado em Emma Raducanu é redondo e tem forma de bola, é nisso que ela bate em cada pancada, será isso que lhe acompanhará a raquete ainda durante uns tempos e desde setembro, o mês feito fabuloso para tenista que se inscreveu no qualifying do US Open, viajou até Nova Iorque e foi removendo adversárias do court até ser a primeira da história a vencer um Grand Slam vinda das catacumbas da qualificação.

Ainda a equilibrar-se na corda bamba entre a adolescência e a vida adulta, a tenista bafejou toda a gente com surpresa porque, a abrilhantar esse feito, houve o facto de Raducanu ganhar o major americano antes, sequer, de registar qualquer vitória em jogos do WTA — antes, chegara à quarta ronda de Wimbledon, outro Grand Slam que não é organizado pela entidade-mor do ténis feminino.

Só quando voltou a uma das suas terras conseguiu juntar uma vitória à conquista no piso rápido de Nova Iorque.

Emma Raducanu é britânica com costelas chinesas e romenas, ainda tem a avó a viver na Roménia e lá está a competir no Transivânia Open com o peso das expetativas intangíveis, mas sentíveis, nela depositado desde a tomada do US Open que talvez nem os pais, nos olhos de quem os filhos sempre têm outro brilho, julgariam provável.

A tenista, de 18 anos, ganhou o primeiro jogo do torneio a Polona Hercog, livrando-se de três pontos de break pelo caminho para chegar à tal vitória inaugural da carreira no circuito WTA e, uma vez mais, obrigar a escrever que alguém venceu (4-6, 7-5 e 6-1) um Grand Slam antes de saber o que é ganhar um jogo nalguma prova que existe uns degraus abaixo na cadeia alimentar da modalidade. Depois, ultrapassou Ana Bogdan (6-3, 6-4) para esta sexta-feira, às 17h15, enfrentar Marta Kostyuk nos quartos-de-final.

Raducanu está a jogar em Cluj sem treinador, como o fez no Master de Indian Wells onde perdeu à primeira, por ter decidido terminar a ligação com Andrew Richardson, que a acompanhou no US Open. "Eu própria", respondeu, quando lhe perguntaram quem a iria treinar neste par de torneios. "Não creio que é incrível estares dependente, tens de saber treinar-te, é algo que estou a aprender. Nem sempre vai funcionar, mas, a longo-prazo, se continuar a fazê-lo, vou melhorar", argumentou.

O plano da tenista não é prolongar o limbo sem um treinador e referiu que a ideia é encontrar alguém até ao Open da Austrália, agendado para a segunda quinzena de janeiro.

Por enquanto, na Roménia, país que visita "uma ou duas vezes" por ano para estar com a avó, Emma Raducanu está a jogar num pavilhão cheio de ninguém (devido às restrições impostas pela pandemia), embora, por fim, já tenha o olhar do pai a fitá-la, que não esteve no US Open: "É muito bom tê-lo aqui por me ter acompanhado durante todo o meu percurso, depois de não ter podido estar comigo em Nova Iorque quando aquela experiência especial aconteceu".

Só lhe falta encontrar um treinador.