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ATP Finals: vem aí um golpe de autoridade de Djokovic ou um novo grito de afirmação da nova geração?

Em Turim, Novak tentará conquistar o torneio que reúne os melhores do ano pela sexta vez, igualando o recorde de Roger Federer. Sem a presença do suíço nem de Nadal, os seus rivais de sempre cujas ausências se vão tornando cada vez mais recorrentes, o sérvio, que acaba de se tornar no tenista da história que mais vezes terminou um ano como n.º1 e que mais Masters 1.000 venceu, lidará com a concorrência de Medvedev, Zverev ou Tsitsipas. Nomes que, mais do que futuro, são o presente do ténis

Pedro Barata

Clive Brunskill/Getty

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"A nova geração deu um grande passo em frente este ano. À exceção de Roma e Paris, os Masters 1.000 foram todos ganhos por jovens. Eu ter vencido o Ouro olímpico e o Daniil ter conquistado o US Open foram momentos importantes. Os jovens estão a aparecer, o que é algo normal. O top 10 está a ficar mais novo e isso é, sem dúvida, bom para a modalidade".

As palavras são do alemão Alexander Zverev e, sendo uma descrição do momento atual na elite do ténis masculino, funcionam, igualmente, como rampa de lançamento para as ATP Finals.

Em Turim, entre 14 e 21 de novembro, os oito melhores tenistas de 2021 medirão forças no tradicional torneio de fecho de calendário (fica só a faltar a Taça Davis). E, com Federer e Nadal de fora, Novak Djokovic é o único membro do big three presente na competição, algo que, nos últimos tempos, vem-se tornando num hábito. É cada vez mais recorrente assistirmos a competições de alto nível nas quais o sérvio, de 34 anos, tem como principais rivais um conjunto de atletas de 25 anos ou menos, e o certame do norte de Itália não é excepção.

Huracz, Djokovic e Tsitsipas, na apresentação do torneio

Huracz, Djokovic e Tsitsipas, na apresentação do torneio

Valerio Pennicino/Getty

Nestas ATP Finals, os oito tenistas — todos europeus — estão divididos em dois grupos de quatro, com os dois melhores de cada grupo a avançarem para as meias-finais. E, no grupo de Djokovic, estão o grego Stefanos Tsitsipas (23 anos), o russo Andrey Rublev (24) e o norueguês Casper Ruud (22). No outro grupo, competirão o russo Daniil Medvedev (25), o alemão Alexander Zverev (24), o italiano Matteo Berrettini (25) e o polaco Hubert Hurkacz (24).

Djokovic tentará vencer pela sexta vez o torneio que reúne os melhores do ano, igualando assim o recorde de triunfos que pertence a Roger Federer. Novak não conquista a competição desde 2015, sendo que nos últimos três anos os vencedores foram Medvedev, Tsitsipas e Zverev, três candidatos ao bis em 2021.

No lançamento das ATP Finals, o sérvio admitiu que a presente temporada o tem deixado "exausto", sobretudo no "plano mental e emocional: "2021 tem sido diferente, devido à pressão de conseguir um registo histórico, o que exigiu muito de mim", disse Djokovic, em referência à tentativa de conquistar os quatro torneios do Grand Slam, algo que ninguém consegue desde Rod Laver, em 1969. Depois de vencer o Australian Open, Roland Garros e Wimbledon, o "campeão que o mundo adora odiar" perdeu a final do US Open contra Medvedev e disse adeus à ambicionada proeza.

Medvedev e Djokovic após a final do US Open

Medvedev e Djokovic após a final do US Open

Matthew Stockman/Getty

Após o evento de Nova Iorque, Novak esteve quase dois meses a "poupar energias", como o próprio admitiu, voltando a jogar no início de novembro, no Masters 1.000 de Paris-Bercy. E em França voltou a encontrar Medvedev, conseguindo, desta feita, bater o russo após uma final muito equilibrada.

Com a vitória parisiense, o sérvio logrou mais dois registos para tentar que, na batalha dos livros de recordes no Olimpo do ténis, a balança penda para o seu lado: conquistou o seu 37.º torneio Masters 1.000, desempatando com Nadal, e garantiu que, pela sétima vez, terminará o ano como líder do ranking ATP, superando Pete Sampras.

A final de Paris-Bercy foi uma contenda altamente competitiva, sobretudo devido à extraordinária valia defensiva que o sérvio e o russo — dois habitantes de Monte Carlo — possuem, o que levou a várias trocas de bola muito longas. Após o embate, Djokovic assumiu que Medvedev é "provavelmente" o seu "maior adversário neste momento".

"O nível dos nossos jogos é sempre alto", assumiu o russo. "Mas tu tentas sempre adaptar algumas coisas para surpreender. Eu vi de novo a nossa final no Australian Open para me preparar para a do US Open, e o Novak reviu a final do US Open para mudar algumas coisas para Paris", acrescentou o Medvedev. Campeão em título das ATP Finals e vencedor do último Grand Slam da temporada, um triunfo em Turim consolidaria o seu estatuto de número dois do ranking e maior ameaça da nova geração à supremacia de Djokovic.

O número 3 mundial, Alexander Zverev, conquistou as ATP Finals em 2018 e teve, em 2021, um ano de grande sucesso desportivo. Campeão olímpico em Tóquio, foi o único tenista a vencer dois Masters 1.000 (Madrid e Cincinnati) e, no total, arrebatou cinco títulos na temporada. Sorteado na primeira fase contra Medvedev, Berrettini e Hurkacz, o alemão considera ser este o "grupo mais duro" do torneio.

No entanto, o 2021 de títulos de Zverev contrasta com as acusações que Olga Sharypova, a sua antiga namorada, lhe fez, num relato de “grande violência” física e psicológica, a qual terá levado a russa a tentativas de suicídio. Após vários meses nas quais era criticada por nada fazer, a ATP, organismo máximo do ténis mundial, iniciou recentemente uma investigação sobre o comportamento do tenista.

Zverev com o ouro olímpico em Tóquio

Zverev com o ouro olímpico em Tóquio

Julian Finney/Getty

Além de Djokovic, Medveved e Zverev, o outro antigo campeão do torneio que estará em Turim é Stefanos Tsitsipas.

O grego, número 4 da hierarquia mundial, venceu as ATP Finals em 2019 e, este ano, conquistou o Masters 1.000 de Monte Carlo e o torneio de Lyon, além de ter perdido a final de Roland Garros para Djokovic.

Tsitsipas suscitou algumas dúvidas sobre o seu estado físico nos dias anteriores ao arranque das ATP Finals, isto porque em Paris-Bercy, no dia 3 de novembro, retirou-se do seu duelo contra Alexei Popyrin com apenas 27 minutos decorridos, devido a uma lesão no braço. Em Paris, "a dor era insuportável", assumiu o grego, revelando que se tem "sentido muito melhor" e a recuperação está a ir "na direção certa".

Se pode haver reservas sobre a forma de Tsitsipas, em relação a Matteo Berrettini tudo o que há em Itália é expectativa.

O transalpino é o sétimo colocado do ranking ATP, o que faz dele o jogador do seu país com uma posição mais alta na hierarquia mundial desde Corrado Barazzutti, em 1978.

"O ténis masculino italiano tem estado em grande, com o Matteo, o Fognini ou o Jannik Sinner", atestou Djokovic sobre o estado atual das raquetes do país, capazes de colocar esses três homens e Lorenzo Sonego entre os 40 melhores do mundo. Sobre os ombros de Sinner, número 10 do mundo com 20 anos, recai a esperança de estarmos na presença de um futuro vencedor de majors.

"Não consigo descrever a felicidade que tenho em estar aqui", disse Berrettini, na semana anterior ao arranque do torneio. Finalista vencido em Wimbledon no mesmo dia em que Itália venceu, em Wembley, o Euro 2020, Berrettini foi recebido por Sergio Mattarella, o presidente da República, juntamente com a squadra azzurra, tornando-se, definitivamente, num dos nomes grandes do presente do desporto italiano. Jogando em casa, o romano tentará usar o apoio dos tiffosi a seu favor.

Berrettini com o troféu de vice-campeão de Wimbledon, Mattarella e Chiellini com a taça de campeão da Europa

Berrettini com o troféu de vice-campeão de Wimbledon, Mattarella e Chiellini com a taça de campeão da Europa

Claudio Villa/Getty

A completar o grupo de Berrettini, Medvedev e Zverev estará Hubert Hurkacz, primeiro jogador da Polónia a estar nesta competição desde Wojtek Fibak, em 1976. Tendo começado o ano fora do top 30, Hurkacz acabou entre os 10 melhores do ténis mundial muito graças a três títulos ganhos, entre eles o Masters 1.000 de Miami.

"Ir a Turim é um sonho", reconheceu o polaco, que espera que os seus feitos, aliados aos da sua compatriota Iga Swiatek, presente nas WTA Finals, sirvam de "inspiração para muitos meninos e meninas no país". Hurkacz estará em Itália após uma excelente prestação em Paris-Bercy, na qual só perdeu no tie-break do terceiro set das meias-finais contra Novak Djokovic.

Casper Ruud

Casper Ruud

Gary Payne/Getty

A Rússia é o único país com dois representantes em Turim, com Andrey Rublev a juntar-se a Medvedev. Rublev não mais saiu do top 10 desde que lá entrou em outubro de 2020, tendo o triunfo em Roterdão e as finais perdidas dos Masters 1.000 de Monte Carlo e Cincinnati sido os pontos altos da sua temporada 2021.

Finalmente, o mais jovem destas jovens ATP Finals é Casper Ruud, de 22 anos. O norueguês estreou-se entre os 10 primeiros do ranking em setembro passado, como consequência de um excelente 2021, no qual venceu cinco títulos e subiu da 27.ª posição que ocupava em janeiro para o presente oitavo posto.

"Tem sido um ano inacreditável e será a forma perfeita de fechar a temporada", reconhece o filho de Christian Ruud, antigo número 39 do mundo. Até 2021, Casper nunca tinha ganhado mais do que 23 encontros num ano, mas, na presente volta ao Sol, soma já 53 vitórias.

Após já terem tido nomes diversos e sido disputadas em locais tão diferentes como Tóquio, Paris, Barcelona, Melbourne, Nova Iorque, Lisboa — em 2000, com vitória de Gustavo Kuerten, ou "Guga" — ou Xangai, as ATP Finals tiveram como casa, entre 2009 e 2020, a O2 Arena de Londres.

A partir de 2021, e até 2025, o torneio que reúne os melhores do ano disputar-se-á em Turim. Veremos se, na sua primeira edição na capital de Piemonte, será Djokovic a consolidar a sua lenda ou, pelo contrário, veremos um dos jovens aspirantes ao trono a sorrir.

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