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Um Azar do Kralj

Gedson é uma espécie de placebo para o jogo do Benfica: a doença continua lá, mas o paciente apresenta melhorias

Um Azar do Kralj elogia a qualidade do novo miúdo promissor do Benfica, no meio da "abstracção que dá pelo nome de 'ideia de jogo de Rui Vitória'", onde também cabe a expressão "Salvio e mais dez", que é "indicativa não de um candidato ao título, mas de um digno concorrente do Marítimo no acesso à Liga Europa"

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

Carlos Rodrigues

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Odysseas

Precisa urgentemente de cometer um erro fatal que o faça a) abrir a pestana e arrancar para uma época extraordinária ou b) cair numa depressão profunda que obrigará o Benfica a ir ao mercado até 31 de Agosto. Já não tem muito tempo.

André Almeida

A sua tentativa de prémio Puskas aos 86' não passou despercebida. Foi uma noite tranquila para o melhor lateral direito português do plantel.

Rúben Dias

Sabes que foi um jogo sem grandes sobressaltos defensivos quando Rúben Dias não teve que agredir ninguém.

Jardel

No dia em que os desarmes forem celebrados como golos, veremos Jardel correr na direcção dos adeptos adversários a gesticular com os braços dizendo "caaaaalma". Já merecia um golo assim.

Grimaldo

Nos dias bons como o de hoje, é o mais próximo que temos, em termos tácticos, de uma papoila saltitante heterossexual. Metrossexual, vá.

Fejsa

Defensivamente, foi um 112 que nunca deixou ninguém em espera. Ofensivamente, tem saudades de Krovinovic.

Pizzi

Esqueçam o Ferrari. Essa bazófia já faz parte do passado. A realidade desta equipa é outra, e nessa abstracção que dá pelo nome de "ideia de jogo de Rui Vitória" uma coisa é, ainda assim, certa: a titularidade de Pizzi. Se não concordam, experimentem tirar a correia de distribuição a um Datsun e vão com ele para a A2. Depois digam-me como é que correu.

Gedson

Em bom rigor, Gedson não resolveu nem tem que resolver os principais problemas desta equipa - à cabeça, uma sofrível previsibilidade no jogo ofensivo - mas a verdade é que quando o jogo passa por ele, o miúdo tenta dar o exemplo e nós sonhamos todos mais um bocadinho. É uma espécie de placebo. A doença continua lá, mas o paciente apresenta melhorias. É deixá-lo estar. Antes assim.

Salvio

Até ele concordará que a expressão "Salvio e mais dez" é indicativa não de um candidato ao título, mas de um digno concorrente do Marítimo no acesso à Liga Europa. Mas foi um pouco isso que se viu ao longo de uma primeira parte sofrível em que o remate mais perigoso foi de Salvio e o lance individual mais optimista também, num slalom estonteante que nos fez a todos acreditar por breves instantes que ele seria realmente capaz de fintar meia equipa turca. O lance terminaria com insultos proferidos por essas mesmas pessoas. A segunda parte pareceu menos produtiva, mas só se ignorarmos a assistência para golo. É este o problema de Salvio. Podem adorar odiá-lo.

Cervi

Talvez preferisse esconder a fase menos inspirada que atravessa, mas o treinador teima em colocá-lo no onze. Cervi não tem disfarçado o incómodo causado pela sua própria titularidade e continua a somar erros atrás de erros, cruzamento previsível após cruzamento previsível. Não vale a pena. Por muito que tente, o mago argentino não consegue convencer Rui Vitória a colocar outro jogador em campo. Talvez isso explique o momento de psicologia invertida que colocou o Benfica em vantagem. Cervi recebeu a bola com espaço na área e, contra a sua vontade, desferiu um remate que o guarda-redes turco se encarregou de colocar no fundo das redes. Veremos se é desta que consegue finalmente regressar ao banco de suplentes.

Ferreyra

Salvador Alvarenga e o amigo Ezequiel Córdoba planeavam mais uma jornada de pesca em alto mar, mas o motor da embarcação falhou. Subitamente, os dois homens viram-se à deriva e a lutar pela sua sobrevivência. Só um deles conseguiu, a muito custo. Aguentou tempestades, bebeu a sua própria urina, bebeu sangue de aves, comeu tudo menos as penas, rezou muito, chegou a conversar com o cadáver do amigo, fazendo as perguntas e respondendo por ele. Enlouqueceu aos poucos enquanto aprendia a viver em "solitária" num mundo que ele jamais imaginara ser o seu. Salvador Alvarenga passaria 438 dias algures em alto mar, a acenar a todas as embarcações, até finalmente encontrar as montanhas, por mero acaso. Quando o encontraram, recorda, tinha medo de pessoas. Não sabia o que dizer ou como comportar-se. Hoje, diz-se feliz simplesmente por estar vivo. Fica a ideia de jogo.

Castillo

Fez tudo o que o pobre Ferreyra não conseguiu. É bastante, se considerarmos que pesa mais 40 quilos e tem piores pés. Reúne condições privilegiadas para se tornar herói esta época. É só a bola começar a entrar (e nós mudarmos de treinador).

Zivkovic

Protagonizou o momento mais bizarro do jogo ao entrar para o lugar de Salvio. Passou os minutos seguintes a enumerar de forma civilizada, como aliás vem fazendo há mais de um ano, todos os motivos pelos quais deveria ser titular. Adivinhem quem é que não tirou notas.