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Um Azar do Kralj

A masterclass de taekwondo bêbado de Rúben, o IRS de Almeida, Vlachodeus e o grito furioso de Alfa a uma rádio mexicana (Um Azar do Kralj)

Chega então a análise de Vasco Mendonça aos jogadores do Benfica que arrancaram uma vitória fora na Champions,“algo que não se via desde os tempos de Coluna, ou assim”

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

ARIS MESSINIS

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Odysseas

Decidam-se: afinal o rapaz chamar-se Odysseas, Vlachodimos ou Vlachodeus?

André Almeida

Fez uma exibição pouco feliz com culpas evidentes no cartório, mas André Almeida afirma-se cada vez mais como o IRS desta equipa. Podemos questionar a sua existência, vociferar quanto quisermos, podemos até ensaiar umas alternativas ao nosso regime fiscal entre a mini e o tremoço, mas a verdade é que vamos acabar a pagá-lo de qualquer das formas e mais vale aceitar a sua inevitabilidade.

Rúben Dias

Mais uma masterclass de taekwondo bêbedo, a modalidade favorita de Ruben Dias. Como se costuma a dizer, a descer todos os árbitros ajudam; na Champions é que as coisas mudam. O Benfica Lab já nos habituou a inovações como aquela caixa 360s deveria agora apostar numa sala de raiva a ser estreada pelo nosso rapaz. O conceito já foi testado em alguns estabelecimentos psiquiátricos e jardins zoológicos com elevado sucesso. A considerar.

Germán Conti

Boa exibição a jogar em inferioridade numérica. Não é fácil liderar uma defesa quando estamos a jogar 8 contra 13, mas Conti fez maioritariamente o que lhe competia. Aos poucos vai ganhando a confiança necessária para fazer uma borrada qualquer completamente desnecessária no jogo contra o Porto. Isso ou tornar-se aos poucos uma lenda do clube. Ainda não decidi.

Álex Grimaldo

A isto se chama aprender com os erros. Depois de quarenta e três desmarcações perigosas nas suas costas nos primeiros dois meses desta época, Grimaldo percebeu como proteger-se defensivamente e, melhor ainda, como replicar esse movimento nas costas dos adversários para marcar golos ao serviço do Benfica. Fossem todos os jogadores como ele e a estatura média da nossa equipa seria preocupante.

Ljubomir Fejsa

Acho que Rui Gomes da Silva fez muito bem em abdicar da sua candidatura à presidência. O Benfica precisa de um consenso mais alargado. Precisa de alguém capaz de unir os benfiquistas em torno de uma missão comum, alguém capaz de nos defender de qualquer ataque, alguém que consiga usar um man bun em qualquer circunstância, e para além de tudo isso consiga actuar como terceiro central, ou sexto, consoante a ideia de jogo de Rui Vitória. Em suma: Obama/Biden, Costa/Marcelo, Ljubomir Fejsa e Guilherme Cabral. Calma. Não respondam já.

Pizzi

Após uma belíssima primeira parte, abandonou o terreno de jogo numa fase em que a posse de bola do Benfica era igual ao número na sua camisola. Vamos acreditar que assim descansou mais e estará pronto para afazer um brilharete no domingo.

Gedson Fernandes

É preciso ter calma. Todos os jovens talentos do futebol mundial passam por uma fase que leva os adeptos a perguntar porque é que não jogou o Gabriel. Faz parte.

Rafa Silva

Fez-me lembrar quando era suplente não utilizado. Houve momentos em que bateu ali uma saudade de o ver sentadinho no banco.

Toto Salvio

Cedeu o lugar a Lema após a expulsão de Rúben Dias, tornando a situação de inferioridade numérica ainda mais complicada de gerir.

Seferovic

Comporta-se como Andy Pipkin, aquela personagem vagamente insuportável de Little Britain que é transportada numa cadeira de rodas pelo amigo excessivamente generoso. Seferovic parece quase sempre indisponível para se entregar ao jogo, excepto quando decide levantar-se da cadeira de rodas e desata a criar lances de perigo com os colegas ou marca golos que colocam o Benfica na frente de jogos fora na Champions, algo que não vivíamos desde os tempos de Mário Coluna ou coisa parecida.

Lema

Reúne todas as condições para ser titular: um ex-capitão de equipa que se aposentou, outro que se arrisca a ser expulso todas as semanas, um que foi promovido a capitão e já se lesionou entretanto.

Alfa Semedo

Não houve nada, absolutamente nada mais bonito esta noite, do que ver um jogador que não sabe reagir ao seu próprio momento de magia. Alfa Semedo fez um remate em que nem ele próprio acreditava, enfiou a bola na baliza, deu à sua equipa a primeira vitória na Champions em muito tempo, e começou a correr na direção do banco de suplentes, o seu habitat natural, agarrando a camisola como se fosse a primeira vez, gritando furiosamente GOLO, GOLO, GOLO como se trabalhasse numa rádio mexicana. Foi algo estranho. Foi extremamente verdadeiro. Foi incrível.

Cervi

Jogou pouco tempo e ainda bem. Tem mais em que pensar. No domingo há um Maxi Pereira para humilhar.