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Um Azar do Kralj

Se andaram dois anos a tentar dar sentido à vida, juntem-se ao Rafael Alexandre (por Um Azar do Kralj)

Vendo um jogo no qual Rafael Alexandre Silva voltou a ser o melhor jogador do Benfica, Vasco Mendonça, de Um Azar do Kralj, reconheceu-lhe "um pé direito com a sabedoria acumulada de Tony Robbins, a visão de um Deepak Chopra e se continuar assim vai cobrar honorários dos dois juntos", o que não será coisa pouca

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

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Vlachodimos

Foram muitas, mas as suas defesas aos 22' e aos 76' mereciam mais do que o autêntico melão fora de época com que ele e todos os benfiquistas foram presenteados esta noite. A calma com que abordou ambos os lances é notável. Não há em Vlachodimos uma ponta daquele lirismo que tantas vezes assalta os guarda-redes. Não há um pêlo que ameace defender para a fotografia. Não há contemplação. Em suma, não há cá mariquices. A emoção nele é pouca ou nenhuma, a não ser para quem observa. Esse transforma-se num lírico que não consegue terminar uma frase sem se comover e rogar pragas ao melão que lhe serviram à sobremesa.

André Almeida

Defendeu muito e bem, mas faltou-lhe um danoninho. Depois de na véspera ter afirmado que o Benfica nunca joga para o empate, André Almeida levou esta forma de estar até às últimas consequências com uma assistência para o golo do Ajax.

Jardel

Foi admoestado aos 9 minutos e, como alguém que atravessa vagarosamente o local de um tiroteio com um cigarro no canto da boca, Jardel passou aproximadamente 80 minutos a ignorar a plausibilidade da sua expulsão, a sacar pontualmente do iQOS que guardava no bolso dos calções, como se soubesse onde vive a família do árbitro ou nós tivéssemos mais centrais de jeito no banco.

Conti

Se a sua exibição de hoje fosse descrita como um lance individual, podia dizer-se que Conti saiu a jogar com a bola controlada e, sem que a maioria o previsse, fintou meia equipa do Ajax, voltou atrás para fintar a outra metade e se preparava para enfiar a bola na baliza adversária quando decidiu, vendo a bola colada à relva, que queria marcar de cabeça. Já todos estivemos nessa situação, mas é normal que nos falte a empatia. No exacto momento em que a sua cabeça se aproximava da relva, Conti percebeu que tudo não passara de um delírio e que a sua função em campo era afinal a de impedir que o adversário marcasse. Infelizmente, já foi tarde demais.

Grimaldo

Começou muito bem, felicíssimo por defrontar uma equipa que não o obrigaria a limitar-se ao seu meio campo, o que é meio caminho andado para vermos Grimaldo perder gás e meter argoladas. Quando esse cenário parecia já permanentemente afastado, o espanhol teve a ousadia de achar que lhe competia desviar uma bola que se destinava, muito naturalmente, ao carinho proporcionado pelos braços de Vlachodimos.

Fejsa

Num jogo em que ambas as equipas se recusaram a levar demasiado a sério as tarefas defensivas, Fejsa viu rapidamente ser esgotado o seu papel em campo e decidiu abandonar o jogo mais cedo, razão pela qual o número de passes errados decresceu durante a segunda metade do jogo.

Gedson Fernandes

Voltou a encher o campo. Seja quando rompe com o aborrecimento instalado ou quando aconselha paciência aos colegas, Gedson é hoje uma das presenças mais maduras em campo. Talvez se tenha excedido no final da partida quando disse que o Benfica tem o dever de entrar para vencer nas partidas que restam, mas também tem direito a ser miúdo.

Pizzi

É a CRIL do jogo benfiquista. A circulação passa quase sempre por ali, ainda que ocasionalmente surjam congestionamentos e/ou um imbecil se espete a tentar uma manobra sem nexo que faz toda a gente chegar 40 minutos atrasada ao emprego, mas chega de vos falar sobre a minha manhã.

Rafa

Mais uma vez foi um dos melhores. Rafa é hoje um verdadeiro hino às segundas e terceiras oportunidades. Rafa não é apenas mais um extremo venenoso de bola colada ao pé. Tem um pé direito com a sabedoria acumulada de Tony Robbins, a visão de um Deepak Chopra e se continuar assim vai cobrar honorários dos dois juntos. É tudo por uma boa causa: o melhoramento de Rafa, e o nosso. Se passaram os dois últimos anos paralisados, a tentar perceber que sentido deveriam dar às vossas vidas, juntem-se a Rafael Alexandre Silva no próximo fim-de-semana no Estádio do Restelo para mais uma edição de "A felicidade quer-se coladinha no pé".

Salvio

É gajo para levar a família a jantar ao melhor restaurante da cidade e, quando lhe pedirem para escolher, mandar vir bifes de peru grelhados para todos.

Seferovic

É estranho que caiba a um suíço ser hoje um dos símbolos maiores da luta do colarinho azul na equipa benfiquista. Não só fez por merecer o golo como conquistou a posse de bola pelo menos uma dúzia de vezes em situações que pediam melhor apoio à sua volta. Imaginem que ele disputava todos os lances de cabeça ganhos hoje e entregava de imediato a um Jonas. Que pena o brasileiro ter sido dispensado por Rui Vitória.

Gabriel

Agora já sabe como é perder um jogo na Champions. Está finalmente integrado neste plantel.

Cervi

Entrou a tempo de sofrer um penalti não assinalado.

Jonas

Estou a brincar. Não foi utilizado.