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Um Azar do Kralj

A I Guerra, uma pastilha de Viagra, um homem chamado Deus e a ideia de jogo (LOL) de Vitória (por um Azar do Kralj)

Aqui está a análise de Um Azar do Kralj à prestação dos jogadores encarnados no jogo contra o Tondela. Há elogios para Jonas e para Pizzi e até, apesar de tudo, para Conti, que deixou os adeptos num limbo: deviam aplaudir ou assobiar aquele auto-golo? É que uma derrota significaria... Pois

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

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ODYSSEAS

Três defesas importantes que o colocam definitivamente ao lado de Rui Vitória. Fica registado, Odysseas. Depois não te queixes.

ANDRÉ ALMEIDA

Voltou a ser capitão e aproveitou o regresso definitivo da sua musa - um trintão brasileiro - para fazer duas assistências e colocar o Benfica na frente. É sempre mau quando metade das pessoas no Twitter têm que abrir a app a correr para apagar aquilo que escreveram nas semanas anteriores. Por outro lado, dizer que André Almeida resolveu a crise do Benfica é sobreestimar a mais valia do nosso lateral e subestimar a alhada em que continuamos metidos.

RÚBEN DIAS

No dia em que se celebram 100 anos sobre o cessar fogo na Primeira Guerra Mundial, Rúben Dias esteve à altura da ocasião e negociou com os adeptos atrás da baliza de Odysseas o fim dos petardos numa altura em que o jogo estava empatado. Soubessem outros líderes mundiais estar à altura dos acontecimentos e talvez ainda houvesse esperança.

CONTI

De cada vez que o filmam, tem aquela cara de passageiro a quem pediram que pilotasse o avião. Hoje começou o jogo fiel a esta imagem, enfiando o dito avião contra o primeiro obstáculo que lhe apareceu à frente. O bruá ouvido no estádio após o seu auto-golo não foi de festejos dos adeptos da casa. Foram adeptos benfiquistas divididos entre a indignação perante a displicência do argentino e a felicidade de mais uma derrota iminente que pudesse livrar-nos de Rui Vitória. Conti optou pelo profissionalismo e assim realizou uma exibição bem conseguida que incluiu um corte em cima da linha.

GRIMALDO

Não é um trabalho fácil, mas alguém tem de o fazer. Grimaldo continua a fazer tudo o que está ao seu alcance - lentidão, desposicionamento, decisões erradas no ataque - por forma a obrigar a direcção a despedir Rui Vitória, mas nem todos os colegas parecem pensar da mesma forma.

FEJSA

As buscas prosseguiram durante a tarde de hoje em Tondela por um homem sérvio de 1.85m carinhosamente conhecido na região como Deus, mas de nome civil Ljubomir Fejsa.

GABRIEL

Não sei se é por ser treinado por Rui Vitória, se precisa de mais tempo, se as expectativas se tornaram demasiado altas quando vi aqueles vídeos no YouTube, ou se Gabriel é simplesmente um flop. O facto é que as suas exibições não aquecem nem arrefecem. Gabriel é uma espécie de Pizzi num dia menos bom, sem a parte de ter liderado o meio-campo e conquistado títulos no Benfica.

PIZZI

A geringonça deste plantel é uma solução algo esgotada pela ideia de jogo de Rui Vitória (lol), mas continua a produzir melhores resultados que a maioria.

RAFA

Todas as grandes crises mundiais trouxeram uma degradação das condições de vida a uma esmagadora maioria, mas foram períodos de anormal prosperidade para uns quantos felizardos. No essencial, o meio-campo do Benfica continua à deriva numa pequena jangada presa a um jetski conduzido por Rafa. É rezar para que a corda não rebente.

CERVI

Esteve melhor nos movimentos sem bola, nomeadamente quando ajudou a provocar a expulsão de David Bruno e quando abandonou o relvado para a entrada de Seferovic. No banco, tinha uma bebida energética e um link de acestream da final da Libertadores à sua espera. De um ponto de vista especulativo, não há muito mais a esperar de Cervi. Se for vendido em breve, é provável que o Benfica consiga um bom encaixe. Se ficar, passamos a ter um Salvio para o lado esquerdo. Não me interpretem mal. Seremos felizes com ambos, mas dias haverão em que perguntaremos a nós mesmos se podíamos ter arranjado melhor.

JONAS

Quando fisicamente apto, Jonas faz toda gente em campo parecer melhor do que é. No fundo é a maldição desta equipa. Foi por ele jogar tantas vezes nos últimos anos que Rui Vitória continua a falar após os jogos como se estivesse apenas a passar uma fase má enquanto não ganha a sua primeira Champions. Jonas contagia os colegas como se fosse um vírus ou um medicamento adequado. Quando a equipa parece nervosa, Jonas guarda a bola e oferece apoios como se fosse um Xanax. Quando a equipa parece ressacada, Jonas é Guronsan e Mcdonalds. Se porventura a equipa parece sofrer de disfunção eréctil, Jonas prontamente transforma-se numa pílula de Viagra. Trata muita coisa, verdade, mas não é a cura.

SEFEROVIC

O que dizer? Entrou bem no jogo e aproveitou o embalo proporcionado por um Tondela em inferioridade numérica para combinar com Jonas e André Almeida e colocar o Benfica novamente na frente. Problema: nada disto estava no guião que eu imaginei para este jogo. Por causa de Seferovic, perdemos a oportunidade de ouvir Rui Vitória dizer “meus amigos, eleva”, de discutir pela noite dentro quem deveria ser o novo treinador, no fundo, de sonhar acordado até adormecer com a garantia de um futuro mais risonho para o Benfica. Mas não. Tinha que marcar e dar os 3 pontos. A estabilidade é sobrevalorizada.

ZIVKOVIC

Pena não existir uma superstição qualquer que envolva a inclusão de um médio ofensivo sérvio no onze do Benfica. Talvez assim Rui Vitória prestasse atenção.

SAMARIS

Não é que eu não goste de Samaris. Até simpatizo com o homem, mas comecei a associá-lo àqueles últimos minutos em que Rui Vitória procura “estabilizar” o meio campo porque está quase a conquistar os 3 pontos que o perpetuam no comando da equipa. Fica difícil, Andreas.