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Um Azar do Kralj

A recepção de bola de Jonas no primeiro golo fez mais pela união dos benfiquistas do que dez conferências de imprensa (por Um Azar do Kralj)

O tal domínio de bola do brasileiro não resolver tudo o que é problema no Benfica, mas, na visão de Um Azar do Kralj, "dispensa diretores de comunicação, presidentes nervosos e treinadores sem ideias". De resto, o escriba mantém a opinião de que a equipa "continua essencialmente a não jogar uma beata", acreditando, contudo, que "o mundo de Rafa mudou e a segunda parte de hoje valeu por muitas"

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

Gualter Fatia

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Vlachodimos

Depois da noitada a que foi obrigado em Munique, Vlachodimos merecia descanso e tanto a defesa benfiquista como o ataque do Feirense fizeram os possíveis por deixar o grego sossegado. A sua melhor intervenção em todo o jogo foi ter apanhado a sua pastilha elástica em queda livre quando festejava o primeiro golo. Já se nota o trabalho de JJ.

André Almeida

Mais uma noite a pôr comida na mesa.

Rúben Dias

Foi o primeiro a fazer as pazes com os adeptos. A razão é simples. Enquanto os colegas festejavam o primeiro golo da noite como se isso tivesse resolvido alguma coisa (e ajudou, claro), Rúben Dias já ocupava a sua posição no meio campo à espera que o jogo fosse retomado. Queria mais. Foi uma aposta arriscada. Da maneira que a equipa tem jogado, talvez devesse ter simulado uma lesão para queimar tempo. Felizmente, Rúben Dias leva isto a sério.

Jardel

Cumpriu na perfeição o seu papel para hoje, que consistia em não ser Germán Conti.

Grimaldo

Não é claro se Grimaldo precisava de ser assobiado pelos adeptos ou se bastava apenas ter um novo colega na ala esquerda para que ele regressasse às boas exibições. Talvez fosse uma combinação dessas duas. Pareceu apaixonar-se novamente pelo jogo e por um cidadão sérvio que não via há uns anos. Cervi não lhe fala desde o fim do jogo.

Fejsa

Foram semanas a conspirar para derrubar Rui Vitória. Mau posicionamento, passes errados, falhas de marcação. O homem tentou de tudo para nos dar um novo treinador, mas no final a estabilidade imaginária acabou por imperar. Fejsa aceitou essa derrota como um verdadeiro campeão e regressou calmamente às boas exibições.

Gedson

É um miúdo que vai sabendo dividir o tempo entre a formação escolar e a rambóia. Num minuto está a analisar "Os Maias" sem recorrer aqueles resumos de capa amarela, no seguinte está a mandar shots com os colegas de equipa. Talvez por isso acabe por tomar mais decisões acertadas em 79 minutos, a defender e a atacar, do que Gabriel desde que chegou ao Benfica.

Pizzi

Regressou do balneário com uma surpresa para os benfiquistas. Assim que a segunda parte arrancou, Pizzi meteu a mão direita nos calções e, para espanto de todos, sacou da batuta para voltar a comandar as tropas rumo à goleada. Sacar da batuta podia tornar-se uma expressão recorrente. É só ele deixar.

Zivkovic

Nada como mais uma grande exibição de Zivkovic, a mexer com tudo e todos no flanco esquerdo e em muito do jogo interior da equipa, para nos deixar com um amargo de boca. Sabem há quanto tempo Zivkovic não fazia 90 minutos assim? Pois. Nem eu. Talvez Rui Vitória também tenha visto uma luz hoje e o mantenha a titular.

Rafa

Longe vão os tempos em que não confiaríamos a Rafa uma tarefa simples como atar os atacadores, quanto mais o papel de salvador da pátria. O Benfica continua essencialmente a não jogar uma beata, mas o mundo de Rafa mudou e a segunda parte de hoje valeu por muitas. Rafa entrou em campo convicto de que faria esquecer as más exibições dos últimos meses - não as dele, as dos colegas. Foi assim que correu por cinco, lutou por dez, e jogou quase o suficiente para garantir o nosso perdão aos muitos artistas deste plantel que têm optado pela falta de comparência nos últimos jogos. Quase.

Jonas

A sua recepção de bola no primeiro golo fez mais pela união dos benfiquistas do que dez conferências de imprensa. Não é que tenha resolvido os problemas do clube. Pode ser uma versão mais romântica da proverbial areia atirada para os olhos, pode ser passageiro, e pode muito bem ser insuficiente, mas aquela recepção é toda ela verdade. Dispensa diretores de comunicação, presidentes nervosos e treinadores sem ideias.

Gabriel

Aproveitou a vaga de confiança criada pela súbita goleada para dar um arzinho da sua graça. No caso de Gabriel, isso varia entre um passe bem gizado ou uma condução do jogo em forma de flatulência.

Seferovic

Arnaldo Teixeira deu-lhe indicações muito claras e Seferovic não desapontou, espancando os cadáveres com camisolas do Feirense que continuavam em campo.

Krovinovic

Foi dos melhores na primeira parte.