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Um Azar do Kralj

Um Azar do Kralj acredita que a Cervi só resta mesmo continuar a lutar para não ser substituído por Taarabt na convocatória

Em geral, Vasco Mendonça gostou do que viu esta quinta-feira no Benfica-Galatasaray, embora lamente o estranho caso de Gedson Fernandes, que a cada jogo parece mais jovem e inexperiente, e a exibição de Cervi, que por este andar será trocado por certo marroquino

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

Carlos Rodrigues/Getty

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Vlachodimos

Apesar da exibição mais contida, a prestação de Vlachodimos foi prova de que não sofremos muito com este Galatasaray. O grego lá apareceu no final, num lance entretanto invalidado, mas foram 90 minutos em que teve tanto trabalho como um amolador em dia de chuva.

André Almeida

Quase sempre bem a integrar a manobra ofensiva, sempre que Pizzi chama por ele o lateral aparece balanceado no ataque

Rúben Dias

O mau karma de Rúben Dias voltou a atacar. Sofreu penalty aos 67' e o árbitro nem pestanejou: mais um ressabiado que não gostou de ver o nosso centralão ser poupado a um segundo amarelo na Vila das Aves. Essa gente mesquinha não suporta ver-te vencer, Rúben, mas lá terão que se habituar.

Ferro

Cada vez mais sereno no desempenho de funções, dentro e fora de campo. Assim que chegou à flash interview, Ferro fez o que tinha feito durante todo o jogo: chegou primeiro à bola, resolveu pragmaticamente e afastou o perigo com a elegância dos grandes centrais que, como se isso não bastasse, falam como se tivessem a escolaridade completa. Um luxo de miúdo.

Grimaldo

Teve ali uns laivos de Yuri Ribeiro.

Florentino

Não sei se já repararam, mas há ali um olhar terno que dá a Florentino condições privilegiadas para assassinar as esperanças de qualquer adversário com a bola, e ainda assim conquistar o seu respeito. Florentino tem o poderio físico dos grandes ocupantes desta zona do campo, chega quase sempre primeiro e raramente não consegue o que quer. Acima de tudo, é o herói de que todas os bandos de miúdos precisam. O mais forte do grupo, um calmeirão amigável e corajoso que nunca fugirá à responsabilidade de ir buscar a bola onde quer que esta se encontre: no meio campo do Galatasaray ou entre os miúdos do 8.º B que se armaram em estúpidos. Será ele mesmo, instantes depois, a devolver a bola aos amigos mais pequenos, como se esta não fosse sua. Um amigo, um cavalheiro, em suma, um jogador do caraças.

Gedson

O estranho caso de Gedson Fernandes. O miúdo talentoso que vimos aparecer na primeira metade da época tomou quase tantas decisões questionáveis como eu após oito whiskies. Ao invés do colega Florentino, que parece talhado para este modelo de jogo, Gedson continua a envelhecer mal no miolo, que é como quem diz, a cada jogo parece mais novo, inexperiente e fora dela. É verdade que foi apoiando na missão defensiva, mas não deu a qualidade de passe que dele se espera no desempenho da função.

Pizzi

Ainda ontem era uma jovem esperança do futebol português e agora é o mais velho de sete portugueses em campo. O tempo pode não passar por ele, mas o jogo da equipa sim. Foi dos que mais vezes criou soluções ofensivas e superioridades numéricas no ataque, mas também soube ser garante de equilíbrio no centro do terreno, segurando a cabeça de Gedson duas ou três vezes enquanto este expelia os shots da noite anterior.

Cervi

Muita parra, pouca uva. Muita luta, pouco pensamento à vista dos adeptos. Talvez por isso saiu pelo próprio pé, mas foi aplaudido como se tivesse saído lesionado. Só lhe resta continuar a lutar para que não ser substituído por Taarabt na convocatória.

João Félix

Mesmo num dia mau tem 3 ou 4 intervenções que nos fazem sentir gratos por estarmos vivos. Agora é esperar que seja simultaneamente apertado e motivado pelo mister Lage para se redimir já nas próximas jornadas. Atentai.

Seferovic

A frieza do resultado final parece indicar que tivemos uma rara aparição da versão depressiva de Haris Seferovic, mas as poças de suor espalhadas ao longo do relvado não enganam. Ao invés de comer a relva, Seferovic optou por regá-la com o sacrifício contido nos seus fluídos corporais, e o melhor disto é que agora vocês podem pegar nesta frase e fazer o que bem entenderem. Até logo.

Rafa

Responsável por múltiplas incursões da ala para dentro e por aí adiante que ajudaram a desgastar alguns turcos e brasileiros, pelo menos até Rafa ter oportunidade de testar a potência do seu remate, provocando a gargalhada dos adversários directos. Foi um vislumbre daquele velho Rafa com alergia à baliza que nunca mais queremos voltar a ver.

Jonas

Hoje em dia parece o proverbial tipo mais velho da joga dos domingos de manhã que já não tem pernas mas continua a perceber mais disto do que os miúdos todos juntos. É a minha maneira de dizer que Jonas não sabe jogar mal.

Gabriel

Como um pai que decide ir buscar os filhos adolescentes após uma saída à noite, Gabriel chegou discretamente e esperou pelos miúdos. Sentiu o bafo a álcool em Gedson mas optou por não o repreender, pelo menos à frente dos amigos.