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Um Azar do Kralj

Que Vlachodimos tenha passado a noite em claro, todo ele suores frios, a sofrer com o seu erro até às 6 da manhã (por Um Azar de Kralj)

Depois do erro monumental que ajudou a que o Belenenses SAD empatasse na Luz 2-2, Vasco Mendonça espera que o guardião grego tenha passado mal a noite e que no regresso aos treinos dê 10 voltas ao campo, de joelhos, preferencialmente sobre gravilha

Um Azar do Kralj

Carlos Rodrigues/Getty

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Vlachodimos

Dizem que o não nos mata torna-nos mais forte. Espero por isso que Vlachodimos tenha passado a noite em claro, todo ele suores frios, a sofrer com o seu erro até às 6 da manhã e agora já a pé, apostado em lidar de frente com o infortúnio bizarro de um golpe de vista que nos deixou cegos. Que chegue ao Seixal esta tarde e dê 10 voltas ao campo, de joelhos, preferencialmente sobre gravilha. Falamos depois disso.

André Almeida

Passou boa parte da noite a deambular estranhamente por outros terrenos, mas, no meio de toda esta depressão, torna-se difícil apreciar o reencontro de André Almeida com o único homem nesta vida que alguma vez lhe engraxou as chuteiras. Mais um jogo, mais uma assistência para Jonas. O nosso almeidinhos continua a decidir jogos, contra tudo e contra todos, incluindo benfiquistas.

Ruben Dias

Já tinha ameaçado em Zagreb e agora chegou a confirmação. Ruben Dias está imparável. Ontem voltou melhorar a sua melhor marca pessoal na travessia céu-inferno, ao fazer um passe para Vlachodimos tão nefasto, mas tão nefasto que obrigou a dona de uma casa de alterne em Vale de Santarém a afirmar que o marcador do golo do empate nada tinha a ver consigo. Felizmente para nós, o rapaz já mostrou ter arcaboiço para isto e muito mais.

Ferro

Mais um passo seguro na sua evolução. Continua a mostrar que é possível dançar ballet num moshpit, conjugando elegância e capacidade de antecipação nas doses certas para se furtar à condição impiedosa do centralão e assim se fazer um Senhor Central.

Grimaldo

Comer, dormir, cruzar de forma previsível, repetir. A construção ofensiva da equipa apresentou ontem menos soluções e Grimaldo foi dos que mais sentiu o peso das ausências, alternando entre tarefas defensivas no corredor mais activo do adversário e algumas combinações desinspiradas que terminaram quase sempre comigo a roer as unhas.

Florentino

Continua a realizar exibições monstruosas com um cavalheirismo pouco habitual naquela zona do terreno. Os adversários não sabem se hão-de guardar a bola, sair a jogar ou simplesmente entregar a bola a Florentino, um menino que acertou 30 desarmes em 32 tentativas. Que continue assim, ele e nós, rumo ao 37.

Samaris

Devido à ausência de Gabriel, Bruno Lage optou por um meio-campo em que Florentino seria o músculo e Samaris o cérebro, o que foi um pouco como colocar Maria Vieira no lugar de Meryl Streep. Ainda assim, o grego desunhou-se para organizar o ataque com o brilhantismo do colega brasileiro e entregou-se ao jogo até marcar um golo com a ajuda de Nuno Coelho e, acreditava ele, matar de vez um jogo que parecia enguiçado. Infelizmente mal teve tempo para se recompor dos festejos.

Pizzi

Procurou o apoio dos amigos Almeida e Félix para construir no flanco mais aberto, tentou por tudo criar desequilíbrios por dentro, mas a verdade é que a coisa não carburou tanto como tem sido habitual. No final do jogo o seu corpo pareceu pedir descanso, mas como diz a conhecida canção dos Beastie Boys: no sleep 'till Moreira de Cónegos.

Rafa

Provocou os maiores desequilíbrios na primeira parte, mas sempre com aquela estrelinha de vice-campeão na hora de rematar à baliza. (Rafa tem respondido aos críticos com golos, portanto resolvi experimentar).

João Félix

Eis a nova condição de João Félix: lidar com a expectativa de milhões de indivíduos que se habituaram a ganhar por meia dúzia nos últimos meses e por isso se sentem desapontados, quiçá à beira do suicídio, quando a sua equipa empata em casa. O miúdo nem fez necessariamente um mau jogo. Simplesmente não marcou nenhum golo só ao alcance dos predestinados e não participou em nenhum lance que resultasse em golo de colegas. João Félix saberá que, não sendo isso uma tragédia ou motivo para questionar o seu enormíssimo valor, é o suficiente para deixar os benfiquistas ansiosos nesta manhã de terça feira. Felizmente é de feitio, e não vai mudar. Bora João. .

Jonas

Foi então que, no exacto momento em que o meu coração suplicava pelo regresso de Seferovic, Jonas recebeu como só ele no coração da área e com, a eficaz simplicidade dos génios, tornou suas as palavras de Mark Twain e explicou que os rumores da sua morte eram manifestamente exagerados. Longa vida a rei Jonas.

Zivkovic

Não é fácil conduzir uma equipa à vitória quando os dez colegas em seu redor estão a jogar de mãos na cabeça, ainda incrédulos com o que se estava a passar.

Jota

Teve a seu favor a grande vantagem de não ser Franco Cervi, o que lhe permitiu realizar acções positivas nos poucos minutos em campo.