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Um Azar do Kralj

A equipa nascida do Canal Panda cujas situações de superioridade numérica parecem saídas de uma tag do Pornhub (o SLB, por Um Azar do Kralj)

Aqui está a análise ambígua, parcial, interessada e nada equidistante, como se quer, de Vasco Mendonça, o cronista benfiquista, comentador encartado televisivo, co-autor da página Um Azar do Kralj

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

PATRICIA DE MELO MOREIRA

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Vlachodimos

É um preciosismo, mas não passou despercebido. A bola sobrevoa a área do Benfica e passa por cima da trave. Luís Costa Branco, refere uma bola que "parecia controlada". Seria apenas um detalhe em qualquer outro guarda-redes, mas não neste grego causador de stress pós-traumático. Em Vlachodimos a bola nunca está verdadeiramente controlada até se manter absolutamente imóvel nos seus braços, ou longe dele, de preferência fora do relvado. Ontem enfrentou um adversário que optou por não expor os nossos níveis de ansiedade.

André Almeida

O problema da maioria das alternativas políticas é que, mais do que um programa, falta-lhes uma ideia clara para o país. O que pensa verdadeiramente o Aliança? E o Chega? E o Basta? E o Agora a sério, Pára? O eleitor e o sócio não são assim tão diferentes: ambos procuram uma deliberação consequente com relativo grau de autenticidade que todos possamos compreender e tornar nossa. O cada vez mais capitão André Almeida tem duas ideias claríssimas para o país em questão: em caso de dúvida, rematar; em caso de certeza, cruzar. Ontem não marcou mas voltou a assistir por duas vezes, confirmando o seu estatuto de líder europeu. Não é afinal isso que queremos para o país? Tens o meu voto, André.

Rúben Dias

Exibição segura e acima de tudo sem amarelos que o impedissem de jogar em Braga. No final do jogo foi ter com Rene Santos e pediu-lhe a camisola, talvez por nele ter reconhecido os traços rebeldes de um jovem Ruben Dias, aquele que acertava em tudo o que mexia indiferente às consequências dos seus actos. Desejou a Rene as maiores felicidades e meia dúzia de expulsões que o coloquem no caminho dos justos.

Grimaldo

A reedição da dupla com Cervi augurava o pior, mas Grimaldo soube passar por entre os pingos de suor do colega argentino durante boa parte do jogo e ajudar a equipa a avolumar o seu domínio. Foi dos primeiros a abraçar Cervi nos dois golos, mas em vez de lhe dar os parabéns perguntou o mesmo que nós: onde é que andaste este tempo todo? precisei de ti. A merecida assistência para golo surgiria pouco depois com um cruzamento tão perfeitinho para o espaço entre os dois cadáveres do centro da defesa maritimista, onde Salvio aguardava entre stories do Instagram.

Ferro

As suas exibições não são bem futebol. Aliás, se eu quiser ser sério, direi que as apreciações a Ferro talvez devessem ser feitas por alguém da secção de cultura do Expresso e talvez as suas exibições pudessem ser transmitidas na sala M. Félix Ribeiro, a maior da Cinemateca Portuguesa. É verdade que só caberiam 227 adeptos e mais alguns nas escadas, mas imaginem a maravilha que seria ter aquelas poucas com a luzinha do telemóvel acesa numa sala escura.

Florentino

A história é contada num texto notável escrito em 2016 por Claudio Ranieri, que à data guiava o Leicester rumo a um título inédito. O treinador italiano recordava que a energia de N'Golo Kanté na recuperação da bola o obrigou a recomendar contenção. "Abranda, N'Golo. Abranda. Não corras sempre atrás da bola, ok?" O centrocampista francês desobedeceu e hoje é um dos melhores do mundo na sua posição. É, aos poucos, o caso de Florentino Luis, um miúdo formidável que inexplicavelmente ainda divide a primeira página de resultados do Google com uma pizzeria homónima na Rua do Sacramento a Alcântara. Pode não ter os golos ou as assistências de João Félix, e talvez não tenha a graciosidade de um Ferro na salvaguarda dos nossos interesses, mas persegue a bola como se a sua vida dependesse disso e chega quase sempre primeiro. Não há um desarme seu nesta fase da temporada que não nos aproxime uns centímetros de uma daquelas noites de Maio como só nós sabemos.

Samaris

As muitas vidas do Benfica esta época têm em Samaris um dos seus expoentes máximos. Já foi proscrito, suplente mal utilizado, alternativa de respeito, e finalmente titular indiscutível. Pelo caminho fomos esquecendo a pobre imagem que fomos guardando e agora só falta mesmo a renovação, presa por detalhes. Ao que parece, o grego exige a criação de um clube de leitura no balneário e quer começar com um romance de Agustina Bessa Luís.

Pizzi

Foi dele que nasceu grande parte da dinâmica ofensiva de uma equipa nascida no Canal Panda cujas situações de superioridade numérica mais pareceram saídas de uma categoria menos visitada do Pornhub.

Cervi

Sacana do anão calou-nos bem caladinhos. Já tínhamos saudades, Franco. Por muito que me custe, esta activação da Servilusa em forma de futebolista fez dois golos que legitimam o ímpeto de reabilitador social demonstrado por Bruno Lage, mesmo que às vezes o nosso mister irrite um bocadinho com essas justificações.

Seferovic

Por algum motivo o homem não marca penaltis. Desta vez teve uma bola à sua mercê a 5 metros da baliza e nem assim conseguiu marcar, isto depois de ter sido assistido uma dúzia de vezes em boas condições. A única explicação razoável que encontro é Seferovic ter percebido que vinha aí mais um 10-0 e que esse resultado poderia levar adeptos insensatos como eu a reativerem o site da igreja lageana. Se foi esse o motivo para não termos ganho 15-0, então aceito e agradeço por ter-me ajudado a manter os pés na terra.

João Félix

Precisamos de mais 2 épocas deste miúdo genial - deste e dos outros - para ver tudo o que eles serão capazes de fazer ao serviço do Benfica. Quando o dia finalmente chegar e a SAD tiver que libertar o jogador, proponho que o faça em formato reality show, estreando "Quem quer casar com o João Félix?". Não sei se é assim que funciona este programa, mas imaginem uma casa e meia dúzia de concorrentes sedentos do futebol de João Félix. Andrea A., Florentino P. e Enrique C., entre outras concubinas do futebol europeu, declarariam o seu amor livre de impostos ao prodígio recém-sagrado campeão europeu pelo Benfica. Fica a sugestão.

Jonas

Aquele abraço a Bruno Lage foi bonito, em especial porque foi inesperado e pleno de incredulidade. Jamais aqueles dois imaginaram estar um dia juntos fora do relvado a celebrar um belíssimo golo de Franco Cervi. Jonas já não é exactamente futebolista, mas ainda não é bem adepto e não sabe como celebrar fora do relvado. Bruno Lage só recentemente se habituou a conviver de perto com ídolos da estirpe de um Jonas. Mas assim foi, dois homens, plenamente impreparados para um momento de genuína felicidade, a tentarem viver um momento com os que têm por perto. No fundo sou eu depois de beber. Temos todos mais quatro jogos para continuar a treinar.

Salvio

O cabeceamento de Salvio para quem ficou até ao fim foi um justo prémio para os verdadeiros que ficaram até ao final. No próximo jogo em cada teremos um golo de pontapé de bicicleta de Taarabt seguido de uma actuação dos amor electro. Não percam. P.S. - um abraço ao adepto do Benfica que ontem nas redes sociais desabafou ter ficado até ao final para só depois regressar a Valença do Minho. Apeteceu-me dar-lhe um abraço.

Taarabt

Foi suplente utilizado, mas já não há aquela emoção das primeiras vezes, só a certeza de que o clube cumpriu a sua vocação de solidariedade social.