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Um Azar do Kralj

Ok, sexo é bom, mas alguma vez celebraram uma reviravolta com dois golos do Rafa? (por Um Azar do Kralj)

Aqui está a análise ao Benfica-Portimonense (5-1) por Vasco Mendonça, do Um Azar do Kralj, um documento imaculado, sólido e equilibrado que até canta Sérgio Godinho

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

Gualter Fatia

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Vlachodimos

Uma série de intervenções atentas impediu o golo do Portimonense. Vlachodimos claramente ainda não percebeu como é que esta equipa funciona, caso contrário teria executado um daqueles seus golpes de vista logo aos 8 minutos e catapultado a equipa para uma reviravolta ainda durante a primeira parte. Em vez de cinco teriam sido dez. Agora pensa, Odysseas. (Excelente exibição.)

André Almeida

As suas lágrimas no final, depois de confirmados os 3 pontos, são uma consequência lógica de um jogo, perdão, de uma época excessivamente emocionante. Fala-se muito do cansaço físico ditado pelo calendário frenético da alta competição, mas pouco é dito acerca das sequelas psicológicas resultantes destas batalhas no relvado. Comparada a um jogo como o de hoje, a guerra colonial parece um jogo de futsal entre amigos obesos. Jogos como o de hoje, épocas como esta que vivemos, irão causar stress pós-traumático. Este primeiro pelotão de Lage, tão bem representado em alguém como André Almeida, tem tudo para ser feliz, mas nunca mais se livrará da ocasional noite em que, subitamente, um destes homens que combateu na mítica batalha de Tabata acordará com suores frios e um golo do Portimonense, tudo isto em frente a sessenta mil bocas para alimentar. Imaginem se não tivesse feito mais duas assistências para golo.

Jardel

Um dos pesadelos resultantes do stress pós-traumático poderá passar apenas pela presença de Jardel em campo. Só isso chega para me assustar nos dias que correm.

Ferro

Sofreu a bom sofrer com os adversários diretos e com os que surgiam pelo flanco de Grimaldo. Também se emocionou no final, por ter sobrevivido à dupla com Jardel.

Grimaldo

A dada altura, durante aqueles sofríveis 60 minutos que recordaremos como os mais assustadores desta época, consegui ver Grimaldo estacionado no flanco esquerdo, qual garçom de pano no braço, a servir mais rosé aos clientes vindos do Algarve. Felizmente a coisa compôs-se e o espanhol acabou a beber pela garrafa e a limpar-se ao pano, depois de somar mais assistência.

Florentino

Foi uma tarde algo desastrosa que culminou numa ovação dos adeptos que, com a ajuda de Ferro, o levantaram do chão e lhe deram forças para continuar. Em vez de sessões de autógrafos na megastore, talvez pudéssemos organizar uma sessão de abraços a Florentino já esta segunda-feira. Abraços e um ou outro puxão de orelhas. Força, miúdo. Isto vai ser tudo teu.

Samaris

Desde que se juntou a Florentino no meio-campo, a coisa tem alternado entre imitações nem sempre bem conseguidas de Gabriel e as tentativas de complementar as acções defensivas do seu jovem colega.

Pizzi

Paz, pão, habitação, saúde, educação e assistências, mas só na última meia hora. Antes disso foi guerra, fome, barracas, escorbuto e passes errados.

Rafa

Ok, sexo é bom, mas alguma vez celebraram uma reviravolta com dois golos do Rafa em casa contra o Portimonense? Obrigado a este rapaz por nos ter proporcionado um dos momentos mais violentos dos últimos anos na Luz. E por violência entenda-se aquela versão do amor que agita as nossas entranhas e nos faz sentir mais vivos do que nunca. Obrigado, Rafa. Custou comó caraças, mas houve Benfica.

João Félix

Muito bem a ludibriar os observadores do Manchester City com uma exibição bastante sóbria sem golos nem assistências. Os bifes que voltem cá na próxima época.

Seferovic

Teve nos pés a oportunidade de proporcionar aos mais de sessenta mil adeptos no estádio um início de jogo agradável, mas não seria Benfica 2018/19 se assim fosse. Acabaria por bisar naquela meia hora final que nos deixou a todos exaustos, quando já era tarde demais para cancelar a encomenda de 5 mil desfibrilhadores para disponibilizar no estádio da Luz.

Jonas

O fixer é aquela figura semi-obscura que trata das merdas quando alguém faz merda. Só entra em cena se for mesmo necessário. É o tipo dos filmes que paga a nossa caução, arranja um advogado e leva a comer gelado a seguir. No futebol, é o tipo que distribui chapadas metaforicamente até toda a gente se acalmar e fazer aquilo que as trouxe a este planeta: marcar golos até os adeptos perderem a voz. Jonas é tudo isso. É, enfim, um adulto no meio de uma equipa que, na sua maioria, não se imaginou aqui nesta tarde de Maio. Desengane-se quem o acha perro. As suas pernas podem correr menos, mas o cérebro continua a seguir disparado na direcção da baliza, sabendo que é necessária calma para lá chegar. Nada mais justo e bonito do que ser este magnífico a marcar o último golo, o nº 300 da sua carreira, dos quais cerca de metade aconteceram com o manto sagrado vestido. Começa a cheirar a despedida. Talvez seja isso, afinal, que fez André Almeida chorar. Compreenderia.

Gedson

Entrou numa fase do jogo em que os miúdos do Seixal já tinham voltado a comportar-se como adultos e não destoou.

Fejsa

Não perdeu tempo a demonstrar que continua num momento de forma estonteanete, perdendo a bola à primeira oportunidade, isto quando a Luz já pedia ensurdecedoramente o 37.