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Um Azar do Kralj

Escusam de gastar dinheiro em livros e psicólogos. Deixem que o Félix vos salve (por Um Azar do Kralj)

Vasco Mendonça deixa aqui o seu tributo ao seu Benfica que conquistou o 37.º título de campeão nacional com uma goleada ao Santa Clara. É tempo de ler as análises parciais, divertidas e metafóricas aos que jogaram, mas também ao homem que chegou do nada e de mota violou todas as regras do código da estrada

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

Gualter Fatia

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Vlachodimos

Muito bem a travar com o próprio rosto um jacto de champanhe vindo de Gabriel que poderia ter atingido algumas crianças no relvado.

André Almeida

Há muito que deixou de ser prata da casa para se tornar ouro de muitos quilates, dentro e fora do relvado. Como um dos mais experientes, anteviu a festa de ontem. Foi por isso que começou a chorar logo na vitória frente ao Portimonense. É um homem que se emociona à frente do seu tempo.

Rúben Dias

Quando Bruno Lage fala na reconquista das boas maneiras, espero que não se esteja a referir a Rúben Dias. Precisamos que o nosso centralão mantenha a sua inclinação ocasional para as más maneiras, de preferência ao serviço do Benfica.

Ferro

Toda a gente a beber cerveja ou Asti Gancia como se não houvesse amanhã e este senhor a perguntar se por acaso não se arranjava uma de Dom Perignon Oenotheque 1970. A classe do costume.

Grimaldo

Como é que um lateral tão competente e maduro chega a um dia destes e se deixa ultrapassar pelos concorrentes diretos Yuri Ribeiro e Eliseu? Alex, és um dos maiores dentro de campo, mas tens de aprender com estes dois meninos como é que se festeja um título nacional.

Florentino

Ontem já com algum álcool, a ver o Florentino celebrar com aquele jeito envergonhado de quem ainda não se convenceu que é campeão nacional aos 19 anos, imaginei um meme chamado Florentino de Rans, a cara de Florentino e a voz do Tino de Rans. Não sei se o Insónias está a ler, mas aqui fica o pedido.

Samaris

Mais 4 anos de passes teleguiados, mais garra como a de poucos, mais solidariedade em todos os momentos, mais sorrisos e lágrimas de alegria, mais Samaris, que é como quem diz, mais Benfica. Abençoado seja.

Pizzi

Se a claque do FC Porto queria que a tarja de ontem fosse levada minimamente a sério, teria pelo menos colocado Pizzi como o maestro que põe a orquestra de árbitros a tocar ao gosto do Benfica. Podemos ser adeptos de clubes diferentes e viver em dois planetas distintos, mas alguém como Pizzi já merecia maior consenso.

Rafa

Digam-me uma pessoa que tenha imaginado que o centésimo jogo de Rafa ao serviço do Benfica lhe daria o vigésimo golo durante essa época e terminaria com um banho de champanhe e o presidente a elogiar o seu par de tomates. Digam-me uma pessoa. Quero pedir-lhe a chave do próximo Euromilhões.

João Félix

O seu golo é um recital de auto-ajuda. Da próxima vez que se sentirem em baixo, lembrem-se como é que o João Félix lidou com os problemas: simulou com o pé esquerdo, ajeitou subtilmente no direito e fuzilou as circunstâncias. Se a vida responder de volta, diz-lhe bem alto como se estivesses embriagado num autocarro no Marquês de Pombal: Chupa! É isto, amigos. Escusam de gastar mais dinheiro em livros e psicólogos. Deixem que o Félix vos salve. Ora essa. De nada.

Seferovic

Um dia teremos de explicar à descendência como foi um estranho suíço de pés controversos, encostado às boxes com uma aparente depressão, prestes a ser emprestado ao Vitesse com opção de compra, se tornou herói nacional e igualou um feito alcançado por Eusébio. Um dia. Hoje celebremos a sua existência, reconhecendo ainda assim que podia ter facilmente chegado, sozinho, aos 103 golos esta temporada. Ai dele que não continue a melhorar na próxima época.

Jonas

Chorámos todos um bocadinho. Não percebi se foi da comoção provocada pelo eventual último jogo ao serviço do Benfica, o último jogo da carreira ou simplesmente uma dor de costas mais aguda. O facto é que naquele momento todos quisemos dar-lhe um abraço e dizer-lhes o quanto gostamos dele. Isso ou dar-lhe um analgésico. A equipa tudo fez para lhe oferecer um golo, mas o adversário não foi na cantiga. Bela filial do Benfica que este Santa Clara nos saiu.

Taarabt

Não se ouviu bem no direto da BTV tal era a reacção efusiva de todo o plantel, mas depois de anunciar um prémio a duplicar para os campeões, terá dito “excepto o Taarabt, que já se encheu quanto baste!”

Salvio

Tal como um adolescente num festival de música no sudoeste alentejano, Salvio está hoje aqui essencialmente pelo convívio. Futebol à parte, o seu sorriso continua a levar-nos a todos.

Eliseu

Quando menos esperávamos, ei-lo. Preparou-se para a última das finais na sombra, longe das câmaras e dos holofotes, treinando arduamente para um épico regresso aos relvados. Imaginem uma sequência de treinos ao som do Eye of The Tiger, mas em vez de boxe ou futebol, o objectivo final é voltar a conduzir uma Vespa sem mãos. Pois bem, creio que falo por todos os benfiquistas quando digo que valeu todo o esforço e sacrifício. Na Luz, primeiro, e depois no Marquês, Eliseu violou repetidamente o código da estrada, mas obteve o perdão imediato da autoridade nacional da festa rodoviária, bem como a nossa profunda admiração. Um clube que traz estas qualidades ao de cima só pode ser o maior do mundo.