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Um Azar do Kralj

Um Azar do Kralj viu o heat map de Gabriel a formar um 3 e um 8 e Rafael Alexandre já semeia o pânico rumo aos quartos de final da Champions

O Benfica venceu a Fiorentina, por 2-1, em mais um jogo de pré-época, e Vasco Mendonça já conseguiu vislumbrar o futuro da equipa em 2019/20

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

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Zlobin

Sejamos realistas. Não sei se é suposto um terceiro guarda-redes chegar àquele remate do Vlahovic.

Nuno Tavares

Alguns cruzamentos venenosos, entendimento razoável com Pizzi e companhia quando descaíam na direita e maior agressividade em duelos diretos. Ainda assim, percebe-se que é tão lateral direito como o Karadas era futebolista. Aliás, se dúvidas restassem bastou observar uma investida sua pela esquerda num contra-ataque durante a primeira parte. Mais do que procurar a baliza adversária, Nuno Tavares parecia um indíviduo em fuga de um estabelecimento prisional.

Rúben Dias

Nem tanto ao mar nem tanto à terra, amigo. Depois de ser comido de forma inexplicável num lance em que só faltou pedir um autógrafo ao jovem Vlahovic, Rúben Dias aproveitou a primeira oportunidade que teve para se redimir e, naquele registo de jovem impetuoso que não sabe exactamente como pedir desculpa, atropelou o avançado sérvio da Fiorentina num lance que podia ter resultado em expulsão. Se o 38 depender disso, e depende, todos preferimos esta segunda versão do Rúben, mas convém não abusar da sorte.

Ferro

A defesa benfiquista é uma espécie de 2 em 1: Rúben é o champô, Ferro é o amaciador. O problema é quando o champô acaba e achamos que vamos resolver o problema.

Grimaldo

O problema de ver um jogo da pré-época num link da net é que às vezes o Grimaldo parece o Yuri Ribeiro.

Florentino

Há umas semanas apareceu num conteúdo das redes sociais do Benfica de mochila às costas como se fosse o rosto de uma campanha publicitária de regresso às aulas. Passaria facilmente por estudante de liceu. Desta vez protagonizou, a espaços, um daqueles anúncios de margarina em que esta derrete ao mero contacto com a faca, tal foi a facilidade com que os italianos progrediram pelo centro do terreno. Talvez fosse mais paciente com o rapaz se não visse um belíssimo pedaço de queijo feta sentado no banco.

Gabriel

Excelente enquanto aguentou fisicamente a construção ofensiva e grande parte do trabalho defensivo. Não tive oportunidade de confirmar, mas o heat map de Gabriel deve ter formado um 3 e um 8.

Pizzi

Ainda a engrenar, mas que isso não impeça os haters. Imaginem a quantidade de gente que se manteve acordada pela madrugada dentro para poder criticar injustamente o maestro que nos conduziu ao 37º título nacional. Tenham cuidado que isso faz mal ao fígado. Façam antes assim: deixem o homem em paz, que ainda nos vai dar muitas alegrias, que, aliás, é praticamente a única coisa que nos tem dado desde que chegou.

Rafa

Enquanto a nação benfiquista debate as necessidades do plantel e suspira por um segundo avançado, Rafa vai explicando que talvez isso não seja necessário. Bastou-me o carrossel dos minutos iniciais para perceber isso. Aliás, se perguntarem aos estafados jogadores da Fiorentina, eles dir-vos-ão que o Benfica já tem as soluções ofensivas de que precisa para conquistar o 38 e chegar aos quartos de final da Champions, para em seguida pedirem oxigénio ao seu departamento médico. Rafael Alexandre, caros amigos. Em transição ofensiva é um filme de terror; em ataque posicional, um thriller psicológico. A verticalidade apresentada ao longo do jogo e de toda a pré-época, devidamente apoiada por Pizzi, Sef e RDT, já vai semeando o pânico necessário, criando espaço para outros colegas aparecerem em zona de finalização e tem tudo para resultar em duas dúzias de golos do nosso miúdo.

RDT

Continua a conhecer os cantos à casa, mas este toureiro não engana. As receções dirigidas, a facilidade de remate, a inteligência já demonstrada a combinar com colegas, a tripla formada com Sef e Rafa em vários momentos, e uma postura que não conhece variações emocionais, apesar do olhar assassino. São só apontamentos iniciais e muitos detalhes que não trouxeram ainda vitórias importantes ou troféus, mas Raul de Tomás é a melhor aproximação que temos neste plantel ao toque de bola de inteligência de um Jonas. Ou seja, para já é exactamente aquilo que precisávamos de ver.

Seferovic

Ainda não ouvimos Barry White quando Seferovic combina com RDT, mas bastaram uns minutos para a dupla-de-avançados-que-supostamente-não-funcionam-juntos colocar o Benfica na frente. E não foi a única oportunidade que criaram. Ora tomem.

Svilar

Há dois tipos de jogadores: os que nos fazem ficar acordados até às 3 da manhã para ver um jogo de pré-época e os que nos fazem acordar cedo e procurar um link com o jogo completo. Svilar é um destes últimos.

Fejsa

Nunca é bom quando Fejsa parece melhor fisicamente do que Florentino.

Taarabt

É raro o lance conduzido por Taarabt em que não progredimos no terreno em condições de criar perigo. E faz tudo com uma sobriedade só a alcance de um grande talento ou de um alcoólico em recuperação.

Chiquinho

Não contei os toques na bola, mas foram suficientes para criar o lance que nos deu a vitória.

Caio Lucas

Apesar do golaço, continuo a ver apontamentos estéticos que aconselham prudência. Ele que decida mais meia dúzia de jogos e logo vemos.

Jota

Poucos minutos, esforçado mas discreto, como se quer num jogador que ainda não aceitou a proposta de renovação que lhe foi apresentada.