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Um Azar do Kralj

É triste, mas durante alguns minutos o Leipizg foi o Benfica e o Benfica foi o Vizela. O Nagelsmann tinha razão (Um Azar do Kralj)

Vasco Mendonça está com uma inflamação na cabeça depois do RB Leipzig - Benfica de quarta-feira, na Liga dos Campeões. Daí que a análise tenha críticas e ironias várias na hora da despedida

Vasco Mendonça, Um Azar do Kralj

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Vlachodimos

O melhor em campo. Aproveitou a rara oportunidade rara de jogar contra avançados de classe mundial e fez a melhor exibição da época numa noite que parecia destinada a ser nossa. Isso ou evitou mais uma goleada embaraçosa nas competições europeias. Ainda não sei, a inflamação da minha cabeça não me permite discernir.

André Almeida

Começou bem, assim como toda a equipa, mas com o passar do tempo e a passagem do Werner para o seu lado, foi-se tornando notório que nem mesmo um Tomás Tavares teria condições para travar o avançado alemão, quanto mais o nosso Almeidinhos. Perante as investidas sucessivas dos alemães, decidiu que o melhor mesmo era começar a atirar-se para o chão por tudo e por nada, numa interessante inversão de papéis. Compreende-se, claro, mas não deixa de ser triste que, durante alguns minutos, o Leipzig tenha parecido o Benfica e o Benfica tenha parecido o Vizela. Afinal o Nagelsmann tinha razão.

Rúben Dias

Rúben, amigão, campeão: ao contrário do que alguns adeptos têm dito, jogaste bem. No entanto, da próxima vez que um avançado alemão tentar passar por ti aos 90 minutos de um jogo da Champions que estás a ganhar por 0-2, não tornes as coisas piores. Deixa-o ir. Ele que se amanhe com o nosso deus grego. Não deixaste de ser o maior, mas vê lá isso. Sábado há mais.

Ferro

Não é que estes textos dependam exclusivamente disso, mas queria dizer-vos que é extraordinariamente difícil estar em casa com uma gastrite, impedido de recorrer ao álcool para afogar as mágoas, a tentar ordenar palavras de uma forma lógica e minimamente serena. Porra, Benfica. O médico pediu-me que repousasse. Assim não dá.

Grimaldo

Um dos responsáveis pelo flanco mais atrevido da equipa. Se o árbitro tivesse marcado o penálti cometido por Grimaldo ainda na primeira parte, estaríamos aqui hoje provavelmente a dissecar mais uma derrota embaraçosa e a imaturidade exibida por alguns destes jogadores nos palcos europeus, isto a não ser que queiramos aproveitar um empate concedido no período de descontos para fazer as mesmas críticas. Estejam à vontade.

Gabriel

As duas primeiras intervenções não enganaram. Continuamos a insistir no Gabriel mau, um centrocampista de ideias peregrinas com um peso superior ao QI. Banco com ele.

Taarabt

Apresentou massa testicular de sobra para enfrentar uma dúzia de boches e esteve nos dois golos. Tal como os colegas, terminou com o depósito na reserva sem bomba de gasolina à vista. Ainda nos vai dar muitas alegrias esta época.

Pizzi

Em condições normais, o décimo quarto golo da temporada e um remate à trave deveriam chegar para calar os que, como eu, criticam as prestações do Pizzi na Europa. Felizmente empatámos e estamos fora da Champions, caso contrário seria difícil criticar as suas perdas de bola ao longo do jogo.

Cervi

Aceitemos a triste sina. O melhor Cervi (que foi) será sempre incapaz de chegar à prateleira de cima e o melhor Benfica não tem mãozinhas para tocar esta guitarra. A vida continua. Resta agora fazer ao Marítimo o mesmo que fizemos da última vez que uma equipa madeirense visitou o continente para defrontar o maior clube do mundo.

Chiquinho

Durante quase uma hora teve discernimento, mobilidade e linhas de passe para incomodar os alemães. A partir dos 65 minutos o jogo virou e o Leipzig tomou conta dos acontecimentos. Chiquinho tentou adaptar-se como pôde, mas a ausência de soluções defensivas no banco de suplentes obrigou-o a sacrificar-se, fragilizando a equipa. Foi pena. Se ao menos tivéssemos um central ou um médio de contenção no banco. Enfim.

Vinicius

Carlos Vinicius é nome de empregado de casa de hamburgers em Paço de Arcos. Esqueçam isso. A partir de hoje chamem-lhe São Vinicius da Pose.

Raul de Tomás

Responsável pela única arritmia que sofri ontem. Se aquele chapéu tem entrado acredito plenamente que o jogo teria acabado 3-3.

Caio Lucas

Aquele abraço ao Pizzi no momento da substituição pareceu-me revelador: ambos os jogadores mostravam um semblante carregado, como quem pergunta "porque é que estamos a trocar de lugar?" Caio Lucas lá entrou com o intuito, presume-se, de refrescar o meio-campo numa altura em que se pedia maior lucidez na posse de bola e mais fôlego a fechar. O plano só teve um problema: passámos mais tempo a fingir lesões no chão do que a controlar a bola e Caio Lucas não saberia proteger a nossa baliza de um Leizpig se a sua vida dependesse disso.

Jota

Eu teria chorado novamente se entrasse aos 97 para fazer sabe Deus o quê.