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Um Azar do Kralj

Não se assustem. Há 15 anos o Benfica foi campeão com 6 golos de Karadas, que faz Dyego Sousa parecer Ronaldo Nazário de Lima

Entre sonhos com Tomás Tavares a praticar cruzamentos e pestanas queimadas ao confirmar no Google como se escreve bandolete por causa de um defesa central, Vasco Mendonça, de Um Azar do Kralj, viu como Adel Taraabt é amor naquela jogada em que se livrou de muitos com cuecas à mistura e onde descortinou, também, que ainda não é totalmente claro que Dyego Sousa deva representar o Benfica

Vasco Mendonça (Um Azar do Kralj)

JOSÉ COELHO / LUSA

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Vlachodimos

Que saudades dos tempos em que o nosso único problema aparente na defesa ser Vlachodimos. Já imaginaram ter só um problema na defesa? Até parece mentira. Hoje em dia são dos poucos momentos em que posso aproveitar para ir à casa de banho sem ter o receio de que alguma coisa grave aconteça. Lage devia criar um sistema de jogo em que Vlachodimos possa ter mais bola. A minha bexiga agradeceria.

Tomás Tavares

Há uns dias passei no Seixal à noite, vi os holofotes acesos e a primeira coisa que imaginei foi um daqueles anúncios épicos com o protagonista sozinho no relvado, só ele e vários sacos de bolas, a treinar cruzamentos. Ficaria genuinamente feliz se o boletim clínico dissesse um dia destes que o Tomás Tavares estava fora devido a lesão de esforço em virtude de ter passado a madrugada a treinar cruzamentos para o meio dos centrais. Acho que todos compreenderíamos.

Rúben Dias

O único homem capaz de me fazer ir ao Google para confirmar como se escreve a palavra bandolete, bem como considerar usar uma daqui a sete jornadas em jeito de celebração e simultaneamente humilhação por ter feito pouco da referida bandolete, esse mesmo, Rúben Dias, mostrou algumas dificuldades perante Taremi em nova sequela do clássico revisteiro “Vais tu ou vou eu”, um espectáculo em exibição sempre que há um lance de bola parada contra o Benfica. Não obstante, foi também ele quem ajudou a empurrar a equipa para a frente naquele seu jeito “fax, se não for eu esta merda não vai lá” que tanto me agrada. Força, Ruben. A bandolete fica, por agora.

Ferro

Já devem ter visto esta cena do Rocky II. O protagonista sai de casa eufórico e salta sobre um lancil de escadas diretamente para o pavimento. A partir daí seguem-se 2 minutos e meio de treino que culminam na subida dos 72 degraus que são entrada do Museu de Arte de Filadélfia. A cena conta a história de um homem que, não sendo o favorito a vencer o combate, se prepara arduamente para estar à altura dos desafios. Agora imaginem que esse protagonista tropeçava a saltar do lancil de escadas, era insultado meia dúzia de vezes pelo caminho e, em vez de dois minutos de planos filmados em Filadélfia, essa sequência durava 3 meses, era filmada no Seixal e terminava com o Ferro a trepar a estátua do Marquês de Pombal. O quê, vão dizer que não pagavam bilhete para ver este filme?

Nuno Tavares

Fico sempre comovido quando vejo que o Seixal é capaz de formar laterais que sabem fazer cruzamentos. O Nuno Tavares foi um dos melhores em campo, não apenas pelos vários, mas porque conseguiu a proeza de jogar em duas posições - lateral e extremo - e ainda fazer uma assistência para golo. Provou que o melhor antídoto para as críticas é mesmo jogar à bola. Quando é assim ninguém se chateia muito por ter que enfiar a viola no saco.

Weigl

O primeiro golo de cabeça da carreira do Weigl, assim como a flash interview emocionada, foram a mais bonita resposta que o alemão poderia dar aos selvagens que puseram em risco a sua carreira e a dos colegas. Só não digo ao alemão que pode finalmente fechar os olhos e dormir um pouco no regresso de autocarro porque os ditos selvagens ainda não foram identificados. De qualquer das formas, tiveram o primeiro castigo. Vão ser obrigados a aplaudir o Weigl, uma humilhação que os próprios não esperavam.

Gabriel

Quando Beckett falou em falhar melhor, talvez não estivesse a pensar num centrocampista fã de forró, mas a expressão adequa-se na mesma. Toda a gente sabe que um jogador como o Gabriel recupera muitas bolas e, com a autoridade que se lhe reconhece, irá arriscar mais no passe e até mesmo a segurar a bola, mas o homem tem que perceber a importância de falhar com mais convicção, isto é, os seus falhanços não podem ser confundidos com falta de vontade, sob pena de o Beckett que reside em nós se transformar num taberneiro capaz de insultar um futebolista que já nos deu várias alegrias.

Pizzi

Já que estamos numa de alterar os regulamentos, acham que podemos instituir a figura do jogador que só entra para marcar lances de bola parada? Ontem teria dado um jeitaço.

Rafa

De cada vez que o Rafa é obrigado a jogar de costas para a baliza como se fosse um apoio e não o homem que vai carregar sobre os adversários, morre um golfinho. Vejam lá isso.

Taarabt

O lance individual que resultou em golo anulado conseguiu mostrar várias coisas:

1- Adel é amor;

2 - Ainda não é totalmente claro que Dyego Sousa deva representar o Benfica;

3 - Ele é provavelmente o único jogador em campo capaz de tirar estes coelhos da cartola e isso alegra-me quase tanto quanto me preocupa;

4 - Não sei se é boa ideia tirar de campo um futebolista que, como referido no ponto 1, é amor, por muito bem que isso possa parecer na cabeça do Lage.

Dyego Sousa

Primeira vez no onze titular e cedo mostrou capacidade de pressão a par de alguns movimentos para criar apoios que permitissem a subida de mais colegas, coroados com uma assistência para golo resultante de uma jogada estudada (neste caso pelo Rio Ave). Não se assustem com a sua saída ao intervalo. Já aqui estivemos. Há 15 anos fomos campeões com 6 golos de Azar Karadas. Não foi por isso que deixámos de celebrar. Relembro este craque norueguês porque faz Dyego Sousa parecer Ronaldo Nazário Lima. Acreditemos por isso na sua redenção.

Chiquinho

A entrada do Chiquinho em campo fez o meu otimismo recuar ligeiramente e até desejar mais duas ou três expulsões para estabilizar a nossa equipa, mas ele acabou por entrar bem e ajudou a encostar o Rio Ave às cordas. Bora Chiquinho.

Seferovic

Apareceu quando mais precisávamos e nem o facto de ter mantido a sua taxa de sucesso - 1 golo a cada 4 remates - nos fez celebrar menos o seu regresso. Para além disso, não é todos os dias que assistimos ao início de uma bonita história de amor como aquela que irá protagonizar com o Nuno Tavares nas sete jornadas que faltam.

Vinícius

Esteve muito certinho no papel de avançado secundário que pouco acrescenta à equipa. O seu melhor momento foi o grito de celebração quando a bola do Seferovic entrou na baliza. Foi importante sentir que os tipos queriam aquilo tanto como nós. Nem sempre acontece.

Jota

Nem deu para despentear.

Samaris

Ainda não foi desta que começou a central.

Zivkovic

Nhecos.

Taremi

O quê? Ele ainda não é nosso?